Padre é condenado por desvio de celulares doados pela Receita Federal

Data:

ação indenizatória por desapropriação indireta
Créditos: Alexander Kirch / Shutterstock.com

A juíza Ana Christina Soares Penazzi Coelho, da 3ª Vara Criminal de João Pessoa, condenou o ex-diretor do Hospital Padre Zé, Egídio de Carvalho Neto, e o ex-chefe de Tecnologia da Informação da instituição, Samuel Rodrigues Cunha Segundo, por apropriação indébita qualificada no âmbito da Operação Indignus.

Segundo a sentença, os dois agiram em conjunto para desviar bens de alto valor, como celulares, tablets e outros equipamentos eletrônicos, doados pela Receita Federal ao Hospital Padre Zé e à Ação Social Arquidiocesana. A magistrada explicou que “a partir do momento em que os acusados retiraram os bens do circuito institucional regular e lhes conferiram destinação privada e ilícita, restou caracterizada a inversão do título da posse, consumando-se o crime de apropriação indébita.”

Como ocorreu o crime

Entre junho e julho de 2023, ao menos 676 itens foram desviados, gerando prejuízo estimado em mais de R$ 500 mil. As mercadorias foram recebidas em Foz do Iguaçu e, por decisão da direção, os produtos mais valiosos foram armazenados na sala da presidência do hospital, área de acesso restrito. Posteriormente, 12 das 15 caixas encontradas no local estavam vazias.

A sentença indica que os produtos foram vendidos no mercado paralelo, com pagamentos em dinheiro. Houve divisão de tarefas: Samuel cuidava da venda dos aparelhos, enquanto Egídio, como diretor-presidente, controlava e comandava a operação, configurando domínio do fato. “A prova coligida demonstra que foi o acusado Egídio Neto quem determinou quais itens de maior valor econômico deveriam ser armazenados em sua sala pessoal, ambiente de acesso restrito (…) evidencia-se que o acusado detinha o domínio da organização criminosa e exercia poder de comando sobre sua dinâmica operacional”, destacou a juíza.

Penas aplicadas

  • Egídio de Carvalho Neto: 5 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão, em regime semiaberto. Atualmente cumpre prisão domiciliar humanitária, com monitoramento eletrônico, devido a problemas de saúde.
  • Samuel Rodrigues Cunha Segundo: 4 anos, 7 meses e 16 dias de reclusão, também em regime semiaberto, respondendo em liberdade com medidas cautelares.

Além da pena privativa de liberdade, ambos foram condenados a:

  • Ressarcir R$ 525.877,77 por danos materiais;
  • Pagar R$ 500 mil por danos morais coletivos.

(Com informações da CBN Paraíba)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo