Portal Juristas debate os impactos do ECA Digital e os desafios da proteção infantojuvenil nas plataformas digitais

Data:

Portal Juristas debate os impactos do ECA Digital e os desafios da proteção infantojuvenil nas plataformas digitais | Juristas

O Portal Juristas promoveu uma live especial sobre os impactos do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), nova legislação que entrou em vigor em 2025 e estabelece diretrizes de proteção para crianças e adolescentes no ambiente virtual.

O encontro foi mediado por Paulo Perroti, CEO da LGPD Solution, e reuniu as especialistas Luciana Sabatini Neves e Tatiana Suplicy.

Durante o debate, Luciana Sabatini Neves explicou que o ECA Digital inaugura uma nova lógica regulatória baseada na prevenção de riscos e na proteção integral de crianças e adolescentes dentro dos ecossistemas digitais. A especialista destacou princípios como melhor interesse da criança, prioridade absoluta e autonomia progressiva, além da necessidade de plataformas digitais adotarem estruturas tecnológicas mais seguras desde a concepção de seus produtos.

A jurista também abordou o conceito de neurodireitos e alertou sobre os impactos de arquiteturas digitais desenvolvidas para estimular permanência, compulsão e dependência comportamental em usuários menores de idade. Segundo ela, decisões recentes envolvendo big techs nos Estados Unidos demonstram uma mudança global na responsabilização de plataformas por danos psicológicos relacionados ao uso excessivo de redes sociais.

Já Tatiana Suplicy ressaltou que a infância contemporânea passou a ser mediada por algoritmos, dados e plataformas digitais, o que exige uma atuação conjunta entre famílias, escolas, Estado e empresas de tecnologia. A especialista enfatizou que os riscos digitais vão além de conteúdos ilícitos e envolvem também mecanismos de engajamento, perfilamento comportamental, publicidade direcionada e manipulação algorítmica.

Durante a transmissão, os debatedores discutiram ainda os desafios de fiscalização do ECA Digital no Brasil, o papel da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), do Ministério Público e do Poder Judiciário, além da necessidade de fortalecimento de políticas públicas de educação e letramento digital.

Outro tema relevante abordado foi o impacto das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes. As especialistas alertaram para o crescimento de casos de ansiedade, cyberbullying, isolamento social, exposição indevida e dependência digital, defendendo a criação de ambientes virtuais mais seguros e transparentes.

Em um dos momentos mais debatidos da live, Paulo Perrote levantou questionamentos sobre possíveis excessos regulatórios e os limites entre proteção digital e liberdade de expressão de menores nas plataformas online. Em resposta, as especialistas afirmaram que o ECA Digital não representa censura, mas sim uma regulamentação necessária para garantir segurança, privacidade e desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Ao final do encontro, os participantes defenderam maior conscientização da sociedade sobre os riscos tecnológicos envolvendo menores e reforçaram a importância da educação digital como instrumento fundamental para prevenção de dano

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo