Meta enfrenta maior julgamento dos EUA sobre impacto das redes sociais na saúde mental de jovens

Data:

Julgamento Virtual
Créditos: Zolnierek / iStock

Começou nesta terça-feira (18), nos Estados Unidos, um julgamento federal que pode se tornar um dos mais relevantes processos judiciais envolvendo redes sociais e saúde mental de crianças e adolescentes. A ação é movida por estados norte-americanos contra a Meta, empresa responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, e questiona práticas relacionadas ao funcionamento de suas plataformas e à proteção de usuários menores de idade.

O processo envolve dezenas de estados que buscam responsabilizar a empresa por supostamente contribuir para problemas de saúde mental entre jovens. Embora o valor das indenizações tenha sido estimado em cifras que poderiam chegar a US$ 1,4 trilhão, advogados dos estados afirmaram recentemente que a pretensão financeira discutida no julgamento está próxima de US$ 200 bilhões.

A Meta é acusada de desenvolver deliberadamente funcionalidades capazes de estimular o uso excessivo das plataformas por crianças e adolescentes. A ação também questiona a suposta coleta de dados de crianças menores de 13 anos sem o consentimento dos pais, em possível violação à legislação federal norte-americana.

A empresa nega as acusações e afirma ter adotado medidas de proteção para adolescentes ao longo dos anos. A Meta também sustenta que possui histórico de iniciativas destinadas a tornar suas plataformas mais seguras para usuários jovens.

O julgamento ocorre após uma decisão da juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers que rejeitou uma tentativa da Meta de impedir o depoimento do ex-funcionário Arturo Bejar, que atuará como testemunha especializada. A magistrada considerou que a exclusão do depoimento poderia retirar dos autores uma testemunha relevante para o caso.

Bejar já havia prestado depoimento em processos anteriores envolvendo a empresa, inclusive em uma ação julgada no Novo México, na qual a Meta foi responsabilizada por danos relacionados à segurança de crianças nas plataformas.

Nesta fase do processo federal, Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey figuram como autores. Outros 25 estados deverão realizar julgamentos posteriormente, enquanto a Meta também enfrenta ações semelhantes movidas por milhares de famílias e processos em diferentes estados norte-americanos.

Os estados pretendem questionar testemunhas sobre as práticas adotadas pela Meta para aumentar o engajamento dos usuários, além de investigar se a empresa teria divulgado informações públicas incompatíveis com aquilo que conhecia internamente sobre os riscos de suas plataformas.

Outro ponto em discussão envolve os chamados “padrões obscuros”, recursos de design desenvolvidos para influenciar o comportamento dos usuários e direcioná-los a determinadas escolhas consideradas favoráveis à empresa.

Além de indenizações, os estados também pedem mudanças no funcionamento dos aplicativos da Meta, especialmente em relação às medidas de proteção de crianças e adolescentes.

O julgamento deverá durar aproximadamente seis semanas. O caso será decidido pela juíza, embora um grupo de oito pessoas tenha sido selecionado para atuar como júri consultivo. A previsão é que a decisão seja conhecida no início de outubro.

Possível marco na responsabilização das redes sociais

O processo é acompanhado com atenção por especialistas em direito e tecnologia porque pode estabelecer parâmetros para a responsabilização de plataformas digitais por práticas comerciais relacionadas ao uso excessivo de redes sociais e à proteção de menores.

Analistas também apontam semelhanças entre o caso e os processos movidos por estados norte-americanos contra empresas de tabaco nas décadas de 1990. Naquela ocasião, os estados acusaram fabricantes de minimizar os riscos associados aos produtos e obtiveram, em 1998, um acordo que estabeleceu indenizações e mudanças nas estratégias de marketing.

A comparação decorre da possibilidade de que o processo contra a Meta produza não apenas consequências financeiras, mas também mudanças estruturais na forma como as plataformas são desenvolvidas e oferecidas ao público jovem.

O caso ganhou relevância após decisões anteriores contra a Meta. No Novo México, a Justiça concluiu que a empresa prejudicou conscientemente a saúde mental de crianças e ocultou informações relacionadas à exploração sexual infantil em suas plataformas. A companhia foi condenada ao pagamento de centenas de milhões de dólares e obrigada a adotar medidas adicionais de segurança.

Entre as determinações estavam limitações de uso para menores de 18 anos, restrições relacionadas a chatbots de inteligência artificial e a inclusão de avisos nas plataformas. A Meta contestou a decisão e informou que pretende recorrer.

Em outro processo, um tribunal de Los Angeles responsabilizou a Meta e o Google por danos relacionados ao uso de redes sociais por uma mulher que afirmou ter desenvolvido problemas de saúde mental após utilizar as plataformas desde a juventude.

O julgamento federal também deverá contar novamente com o depoimento do CEO da Meta, Mark Zuckerberg, sobre questões relacionadas à segurança de crianças nas plataformas.

(Com informações da CBN)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

STF lança cartilha para esclarecer remuneração de magistrados e debate sobre penduricalhos

O presidente do STF e do CNJ, Edson Fachin, lançou uma cartilha com informações sobre a remuneração de magistrados, o teto constitucional e os chamados “penduricalhos”. A iniciativa ocorre após decisões do Supremo que determinaram a suspensão de pagamentos considerados incompatíveis com o teto e a identificação de valores que deverão ser devolvidos por magistrados de sete tribunais estaduais.

Trend nas redes sociais leva Ministério da Justiça a questionar conduta de advogados à OAB

O Ministério da Justiça encaminhou ofício ao Conselho Federal da OAB após identificar vídeos publicados por advogados que ironizam mulheres que pedem a revogação de medidas protetivas depois de retomarem relacionamentos. O documento cita 31 profissionais e questiona a compatibilidade das publicações com o Código de Ética e Disciplina da OAB. As autoras apontam possível revitimização das mulheres e violação de deveres éticos relacionados à dignidade profissional e à publicidade na advocacia.

Big techs entregam ao TSE planos de prevenção para as eleições de 2026

As principais plataformas digitais com mais de 5 milhões de usuários ativos mensais entregaram ao TSE seus planos de conformidade para as eleições de 2026. Os documentos detalham medidas de moderação de conteúdo, cumprimento de decisões judiciais, combate a comportamentos coordenados e prevenção de riscos relacionados ao uso de inteligência artificial. O TSE analisará os planos e poderá exigir ajustes, enquanto as empresas deverão apresentar relatório final sobre os resultados das medidas até 19 de dezembro.

MPDFT denuncia advogada por supostos golpes contra clientes e criação de processos judiciais fictícios

O MPDFT denunciou uma advogada acusada de estelionato e ameaça após supostamente receber valores de clientes, deixar de ajuizar ações e criar documentos e números de processos fictícios para simular serviços jurídicos. A profissional nega as acusações e afirma que sua conduta é regular. Ela também responde a outras ações movidas por ex-clientes e possui condenação anterior relacionada a golpe. A OAB-DF informou que não comenta processos disciplinares em tramitação sob sigilo.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo