Presidente da República sanciona “PL da Adultização” com enfoque na responsabilidade das plataformas digitais

Data:

Política de Privacidade
Créditos: everythingposs / Depositphotos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sanciona nesta terça-feira (17) o chamado “PL da Adultização”, que cria regras para proteger crianças e adolescentes na internet. A cerimônia será realizada às 17h, em evento reservado no Palácio do Planalto.

O projeto, aprovado pelo Congresso no fim de agosto com amplo apoio tanto do governo quanto da oposição, obriga plataformas digitais a remover conteúdos que violem os direitos de menores. A proposta ganhou força após um vídeo do youtuber Felca, que denunciava a “adultização” de crianças nas redes sociais, viralizar no último mês.

Além da sanção, o governo deve aproveitar o dia para enviar ao Congresso outras medidas relacionadas ao setor digital, com foco especial nas big techs.

Regulação do mercado digital e incentivo à infraestrutura

Entre as propostas, está o chamado “PL Concorrencial”, elaborado pelo Ministério da Fazenda, que visa estabelecer regras de concorrência no setor das grandes plataformas tecnológicas. O objetivo é garantir competitividade em um mercado dominado por gigantes internacionais, ainda sem regulação específica no Brasil.

A fiscalização ficaria a cargo do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Segundo fontes do governo, o texto está alinhado às diretrizes da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Também deve ser enviada ao Congresso a proposta de criação da Política Nacional de Data Centers, apelidada de ReData. O programa prevê isenção de impostos federais (PIS, Cofins, IPI e tarifa de importação) sobre equipamentos utilizados em data centers, com validade inicial de cinco anos, como forma de atrair mais empresas de tecnologia para o Brasil.

Regulamentação de conteúdo fica para depois

Já uma terceira medida, mais polêmica, ficará para um segundo momento. Trata-se de um projeto do Ministério da Justiça voltado à responsabilização civil de atos ilícitos nas redes sociais. A proposta foca na proteção de crianças, adolescentes, da família e da saúde pública, e busca aplicar ao ambiente digital regras semelhantes às do Código de Defesa do Consumidor.

Contudo, ainda não há consenso dentro do governo, especialmente diante das críticas de setores da oposição, que classificam a proposta como uma tentativa de censura. A matéria segue em debate interno.

Entenda o “PL da Adultização”

Sancionado por Lula, o projeto estabelece uma série de obrigações para as plataformas digitais em relação ao público infantojuvenil:

  • Responsabilidade das plataformas: empresas poderão ser punidas caso não removam conteúdos ilegais, danosos ou inadequados para menores, como pornografia ou materiais fora da classificação etária.
  • Comunicação com autoridades: as plataformas deverão notificar órgãos competentes sobre conteúdos que envolvam violações contra crianças e adolescentes. Além disso, precisarão armazenar por seis meses os dados do usuário responsável e os materiais compartilhados.
  • Controle parental e verificação de idade: contas de menores de 16 anos deverão estar vinculadas a responsáveis legais. As plataformas também terão de oferecer mecanismos de verificação de idade mais robustos.
  • Proibição de publicidade direcionada: fica vedado o uso de dados de menores para criação de perfis comportamentais voltados à segmentação de anúncios ou exploração de momentos de vulnerabilidade emocional.
  • Sanções severas: em caso de descumprimento, as plataformas poderão ser multadas em até R$ 50 milhões por infração, ou até 10% do faturamento. As empresas também estão sujeitas à suspensão ou proibição de operar no Brasil. Os valores arrecadados serão destinados ao Fundo Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. As sanções serão aplicadas por uma autoridade administrativa autônoma.

(Com informações do site UOL)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Primeiros processos sob nova sistemática da relevância da questão federal serão analisados pelo STJ

O STJ realizará, entre 30 de setembro e 6 de outubro, as primeiras sessões virtuais para análise de processos submetidos à nova sistemática da relevância da questão federal. As três Seções especializadas examinarão controvérsias relacionadas a atividade especial por exposição à eletricidade, honorários advocatícios em cobranças de taxas condominiais e utilização da palavra da vítima em processos envolvendo estupro de vulnerável e assédio sexual. O novo sistema prevê diferentes procedimentos conforme o reconhecimento ou não da relevância e poderá resultar na formação de precedentes qualificados.

Banco Central amplia de 30 para 80 dias prazo para contestar devoluções do Pix pelo MED

O Banco Central ampliou de 30 para 80 dias o prazo para contestação de devoluções realizadas pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix quando o recebedor suspeitar que o mecanismo foi acionado de forma fraudulenta. A mudança entrou em vigor em 1º de setembro e beneficia especialmente comerciantes e prestadores de serviços que podem sofrer com falsas alegações de fraude após receberem pagamentos. O prazo para a vítima de um golpe solicitar o MED permanece em até 80 dias após a transferência original.

Cristiano Zanin é reconduzido ao cargo de ministro substituto do TSE por mais dois anos

O ministro Cristiano Zanin, do STF, foi reconduzido para mais dois anos no cargo de ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral. Ele integra a composição da corte eleitoral desde agosto de 2024. O TSE é formado por sete ministros titulares e sete substitutos, com representação do STF, do STJ e da advocacia. O novo mandato de Zanin terá duração de dois anos, conforme as regras aplicáveis aos ministros indicados pelo Supremo.

STJ aplica multa por litigância de má-fé após identificar comando oculto para manipular sistema de IA

A Segunda Turma do STJ aplicou multa de 10% sobre o valor da causa por litigância de má-fé após identificar um prompt injection oculto em uma petição de recurso especial assinada por um procurador municipal. O comando buscava influenciar sistemas de inteligência artificial do tribunal para favorecer o pedido apresentado no processo. O STJ considerou a conduta grave e determinou a comunicação do caso à OAB, ao MPF, à Polícia Federal e ao município. O relator destacou que advogados são responsáveis pelo conteúdo das peças que assinam e protocolam, devendo garantir sua autenticidade e regularidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo