Senado avança em projeto para atendimento de mulheres dependentes de álcool

Data:

adolescente
Créditos: Katarzyna Bialasiewicz | iStock

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (10) o Projeto de Lei 2.880/2023, que propõe a criação de uma estratégia específica no sistema público de saúde para atender mulheres usuárias e dependentes de álcool. A iniciativa, originária da Câmara dos Deputados, já passou pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) e agora segue para análise do Plenário do Senado.

Relatada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), a proposta altera o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad) para incluir uma estratégia de assistência multiprofissional e interdisciplinar voltada exclusivamente às mulheres, com atenção especial às gestantes e puérperas (mulheres que deram à luz recentemente).

Apesar do avanço, o texto ainda é genérico: não define prazos, metas, nem obrigações concretas para a aplicação das medidas. Também não estabelece sanções em caso de descumprimento por parte do governo. Dessa forma, a proposta funcionará como uma diretriz geral e dependerá de regulamentação por parte do Ministério da Saúde e demais órgãos competentes para ter aplicação prática.

Obstáculos enfrentados por mulheres

Ao justificar seu parecer favorável, a senadora Damares Alves destacou que mulheres enfrentam dificuldades adicionais ao buscar tratamento para o alcoolismo, como o estigma social, a culpa atribuída culturalmente à mulher que consome álcool e as responsabilidades com o cuidado de filhos e familiares — fatores que muitas vezes as impedem de aderir aos programas de reabilitação disponíveis.

Segundo Damares, a proposta pode ajudar a garantir “maior segurança jurídica, continuidade das ações governamentais, previsibilidade orçamentária e uniformidade no atendimento à população-alvo”, além de conferir ao tema um reconhecimento legal compatível com sua importância social e sanitária.

O autor do projeto, deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), defende a iniciativa citando o aumento do consumo de álcool entre mulheres nos últimos anos. Ele também alerta para os riscos maiores que elas enfrentam, mesmo com ingestão de menores quantidades, como doenças no fígado, câncer, problemas cardiovasculares e danos neurológicos.

(Com informações da Agência Senado)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo