STF dá continuidade a julgamento sobre validade de prova baseada na cor da pele

Data:

 

Supremo Tribunal Federal - STF
Créditos: diegograndi / iStock

Na quinta-feira (2), o Supremo Tribunal Federal (STF) continuou a julgar uma ação que questiona a legalidade de provas obtidas por meio de abordagens policiais baseadas na cor da pele. O caso será analisado novamente na próxima quarta-feira (8), durante a sessão plenária.

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo apresentou o Habeas Corpus (HC) 208240, argumentando que a prisão em flagrante de Francisco Cicero dos Santos Júnior por tráfico de drogas foi ilegal, já que a busca policial foi motivada pela raça do suspeito. A abordagem ocorreu em Bauru (SP), em maio de 2020.

Na votação de quatro ministros na quinta-feira, todos concordaram que o perfilamento racial deve ser banido da prática policial, mas três ministros argumentaram que esse não é o melhor caso para representar essa controvérsia.

O relator do HC, ministro Edson Fachin, afirmou que não havia motivo fundado para a busca pessoal sem ordem judicial e que a medida não pode ser realizada com base na raça ou aparência física. Fachin concedeu o pedido da Defensoria Pública, afirmando que a cena suspeita não justificava a abordagem. O ministro André Mendonça abriu divergência, afirmando que foi constatada uma atitude de oferta de drogas em um local conhecido como área de tráfico e que os suspeitos tentaram fugir e esconder drogas. Ele votou por negar o pedido da Defensoria, mas concordou que o perfilamento racial é inadequado.

O ministro Alexandre de Moraes também argumentou que a prova não era ilegal, levando em conta que a defesa não alegou perfilamento racial durante a instrução criminal. O ministro Dias Toffoli seguiu a corrente divergente.

EC/CR//CF

(Com informações do Supremo Tribunal Federal)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo