STF determina apreensão de passaporte de publicitário investigado em caso envolvendo Banco Master

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Fuga do país não configura motivo torpe para aumento de pena de réu que falsificou passaporte
Créditos: buladeviagens / Shutterstock.com

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, contratado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para atuar em um projeto de gestão de crise relacionado ao Banco Master.

A decisão, que tramita sob sigilo, foi confirmada pela assessoria do Supremo Tribunal Federal. André Mendonça é o relator dos processos que investigam supostas irregularidades envolvendo a instituição financeira.

Medida ocorreu após operação da Polícia Federal

Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi e ex-sócio do jornalista Leo Dias, foi alvo de uma operação da Polícia Federal realizada na última quinta-feira (9).

Durante a ação, agentes apreenderam celulares e equipamentos eletrônicos utilizados pelo publicitário em sua residência.

Segundo a Polícia Federal, a investigação apura uma suposta atuação coordenada em redes sociais com o objetivo de afetar a credibilidade de órgãos públicos e instituições financeiras, incluindo questionamentos relacionados à atuação do Banco Central.

Suspeita de risco de fuga

A apreensão do passaporte teria sido solicitada após a identificação de possível risco de fuga.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que havia solicitado medidas cautelares contra Miranda, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, retenção do passaporte e proibição de deixar o país.

Segundo o parlamentar, a Polícia Federal teria identificado elementos que indicariam risco concreto de evasão e representado pela retenção do documento.

A Polícia Federal informou que não comentaria o caso.

Investigação apura supostas estratégias de influência

De acordo com informações obtidas pela investigação, diálogos entre Daniel Vorcaro e Thiago Miranda, registrados em 2025, indicariam possíveis tentativas de interferir na divulgação de informações jornalísticas relacionadas ao Banco Master.

A PF apura conversas nas quais os investigados teriam discutido estratégias para tentar conter reportagens e levantar informações privadas de uma jornalista.

A investigação também aponta que o publicitário teria sido contratado para elaborar um suposto dossiê contra o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, após divergências envolvendo o banqueiro.

Relações políticas também são investigadas

Outro ponto analisado pelos investigadores envolve contatos intermediados por Thiago Miranda entre Daniel Vorcaro, integrantes da família Bolsonaro e o deputado Mario Frias (PL-SP).

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o banqueiro teria realizado investimentos relacionados ao filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Defesa nega irregularidades

Em nota, a defesa de Thiago Miranda afirmou que o publicitário “refuta de forma categórica” qualquer envolvimento em práticas ilegais.

Os advogados sustentam que a atuação profissional de Miranda sempre ocorreu dentro da legalidade, com respeito às instituições e à liberdade de expressão.

A defesa também afirmou que o publicitário não praticou atos criminosos nem participou de ações destinadas a intimidar, constranger ou violar direitos de terceiros.

As investigações seguem em andamento sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.

(Com informações da Folha de São Paulo por Laura Scofield)

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