TJPB mantém suspensão de lei que proíbe academias de cobrar pelo uso de instalações

Data:

Academia deve ressarcir celular furtado em suas dependências
Créditos: mirtmirt / Shutterstock.com

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) decidiu, por maioria, manter a liminar concedida pela desembargadora Túlia Neves que suspende os efeitos da Lei Estadual nº 13.694/2025, na parte que impede academias e demais instituições – públicas, privadas ou filantrópicas – de cobrar de profissionais de saúde e educação física pelo uso de suas instalações para o exercício profissional. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (29).

O julgamento ocorreu nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 0810712-51.2025.8.15.0000, ajuizada pelo Sindicato das Academias e Empresas de Prática Esportiva da Paraíba (SADEPE-PB). O sindicato argumentou que a lei invade a competência exclusiva da União para legislar sobre direito civil e regulamentação do exercício profissional, além de violar os princípios constitucionais da propriedade privada, livre concorrência e livre iniciativa.

Segundo a entidade, a relação entre academias e profissionais de saúde ou educação física é civil-contratual, não de consumo, razão pela qual o Estado não poderia impor restrições que interfiram nessa dinâmica. Ainda de acordo com o sindicato, órgãos de fiscalização, como o Procon-JP, estariam interpretando a lei de forma extensiva, impedindo academias de cobrar pelo uso de suas instalações.

Fundamentação da decisão

Ao analisar o caso, a desembargadora Túlia Neves reconheceu que estavam presentes os requisitos para concessão da liminar: fumus boni iuris (fumaça do bom direito) e periculum in mora (risco na demora da decisão).

A magistrada ressaltou que a lei estadual, ao tratar de questões relacionadas ao direito civil e à prestação de serviços, aparenta extrapolar a competência legislativa do Estado, interferindo em relações contratuais entre particulares. “A tentativa de regulamentar essa relação sob o pretexto de proteção ao consumidor aparenta invadir a esfera de competência legislativa da União”, afirmou.

Além disso, a relatora destacou que a norma poderia afrontar princípios constitucionais da ordem econômica, como os da propriedade privada, livre iniciativa e livre concorrência (artigos 5º e 170 da Constituição Federal). Segundo ela, obrigar academias a oferecer uso gratuito das instalações poderia causar prejuízos financeiros significativos, comprometendo a sustentabilidade dos estabelecimentos.

“Diante da densidade dos argumentos e do risco de lesão grave e de difícil reparação aos estabelecimentos representados pelo sindicato autor, a concessão da medida liminar se impõe”, concluiu.

Com isso, o Órgão Especial do TJPB manteve a suspensão da Lei Estadual nº 13.694/2025, até a decisão final sobre o mérito da ação.

(Com informações do TJPB)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo