
Um cidadão paquistanês, Asif Merchant, foi condenado por planejar o assassinato do presidente Donald Trump e de outros políticos americanos a mando de autoridades iranianas, informou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Acusações e julgamento
Merchant foi condenado por assassinato por encomenda e tentativa de cometer ato de terrorismo transnacional. O julgamento ocorreu no Tribunal Distrital Federal do Brooklyn, em Nova York. Durante o processo, Merchant alegou aos jurados que teria sido forçado a participar do plano para proteger sua família, que residia em Teerã, das autoridades da Guarda Revolucionária do Irã.
O julgamento teve início no final de fevereiro, poucos dias antes de Trump ordenar ataques coordenados com Israel ao Irã, que resultaram na morte de importantes líderes iranianos, incluindo o aiatolá Ali Khamenei.
Plano de assassinato
De acordo com o Departamento de Justiça, Merchant tentou recrutar pessoas nos Estados Unidos para assassinar Trump e outros políticos americanos, em retaliação à morte do general iraniano Qassem Soleimani, ocorrida em janeiro de 2020, durante o primeiro mandato de Trump.
Os procuradores rejeitaram a alegação de coação apresentada por Merchant, argumentando que não havia provas de que ele estivesse sob ameaça real para participar do plano. Merchant admitiu que seu contato iraniano havia mencionado três alvos: Donald Trump, Joe Biden e a ex-governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley.
Prisão e investigação
Merchant foi preso em 12 de julho de 2024, um dia antes de um comício em que Trump sofreu uma tentativa de atentado na Pensilvânia. Na ocasião, ele já planejaria deixar os Estados Unidos. Segundo a investigação, Merchant chegou ao país em abril de 2024, vindo do Irã, e tentou recrutar um parceiro para ajudá-lo no plano. O possível cúmplice denunciou o caso às autoridades e atuou como agente disfarçado.
O planejamento incluía etapas detalhadas: roubo de documentos da residência de um alvo, organização de protestos e assassinato de um político ou funcionário público, que ocorreria após a saída de Merchant dos EUA. As comunicações seriam feitas por meio de palavras-código.
Em junho, Merchant encontrou-se com os supostos assassinos em Nova York — na verdade, agentes disfarçados — que receberiam instruções sobre os alvos entre a última semana de agosto e a primeira de setembro, período em que Merchant já teria deixado o país. Além disso, o Departamento de Justiça informou que Merchant repassou US$ 5 mil como adiantamento aos agentes e contou com apoio financeiro de um colaborador no exterior.
Segurança nacional
Na época, o diretor do FBI, Christopher Wray, afirmou que Merchant mantém “laços estreitos com o Irã” e destacou que qualquer plano estrangeiro para assassinar funcionários públicos ou cidadãos americanos representa uma ameaça à segurança nacional que será enfrentada com todos os recursos da agência.
O caso evidencia a atuação das autoridades norte-americanas na prevenção de ameaças transnacionais e reforça a vigilância sobre tentativas de atos terroristas direcionados a líderes políticos.
(Com informações do UOL)
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