
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta quinta-feira (2) um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) no qual aparece interpretando um médico que supostamente “trata” celebridades conhecidas por criticarem seu governo. A publicação gerou repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os limites jurídicos do uso de inteligência artificial para reproduzir a imagem e a voz de terceiros sem autorização.
O vídeo apresenta versões geradas por IA dos atores Whoopi Goldberg, Edward Norton, Robert De Niro e Julia Roberts, além da comediante Rosie O’Donnell e do ator John Leguizamo. Nas imagens, as personalidades aparecem prestando depoimentos fictícios sobre um suposto tratamento realizado pelo “Dr. Trump”.
A gravação faz referência ao chamado “Trump Derangement Syndrome” (TDS), expressão utilizada por apoiadores do presidente para se referir, de forma pejorativa, a pessoas que se opõem às suas posições políticas.
Ao final do vídeo, Trump recomenda que as pessoas supostamente afetadas pela síndrome evitem consumir notícias falsas, façam orações e bebam refrigerante caso se sintam nervosas.
Publicação gera questionamentos jurídicos
Após a divulgação, usuários das redes sociais e especialistas passaram a questionar a utilização da imagem e da voz das celebridades retratadas.
O influenciador e comentarista Brian Krassenstein afirmou que a reprodução digital das características pessoais dos artistas poderá suscitar discussões sobre violação de direitos de imagem, direitos da personalidade e eventuais direitos autorais, caso tenha ocorrido utilização sem autorização dos envolvidos.
Embora ainda não haja notícia de ações judiciais relacionadas ao vídeo, especialistas observam que o avanço das tecnologias de inteligência artificial tem ampliado os debates sobre o uso de deepfakes e a necessidade de proteção da identidade, da imagem e da voz de pessoas públicas e privadas.
Histórico de publicações controversas
Esta não é a primeira vez que Donald Trump utiliza imagens manipuladas ou produzidas por inteligência artificial em publicações nas redes sociais.
Em fevereiro deste ano, uma postagem compartilhada pelo presidente gerou forte repercussão ao retratar o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama em uma montagem considerada racista. Após críticas de integrantes dos partidos Democrata e Republicano, a publicação foi removida.
Na ocasião, a administração atribuiu a postagem a um funcionário, que, segundo informações divulgadas à época, não sofreu sanções.
Em outro episódio, Trump publicou uma imagem criada por inteligência artificial em que aparecia caracterizado como Jesus Cristo. A publicação também foi apagada após críticas.
Posteriormente, o presidente negou que a imagem tivesse a intenção de representá-lo como a figura religiosa, afirmando que acreditava tratar-se de uma representação sua como médico ou integrante da Cruz Vermelha.
Debate sobre inteligência artificial
O episódio ocorre em um momento em que diversos países discutem mecanismos para regulamentar o uso da inteligência artificial, especialmente em situações que envolvem a reprodução da imagem, da voz e da identidade de terceiros.
Especialistas apontam que o uso de conteúdos sintéticos para fins políticos, humorísticos ou comerciais pode suscitar questões relacionadas à proteção dos direitos da personalidade, à responsabilidade civil e à transparência no emprego de tecnologias de IA, sobretudo quando há potencial para induzir o público a erro ou causar prejuízos à reputação de pessoas retratadas.
(Com informações do G1)
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