A reestruturação deve fazer parte do DNA empresarial

Tornar frequente a revisão dos rumos e da atuação da empresa é fundamental para evitar a insolvência

 

Perceber quando seu negócio precisa de uma mudança de rota é o grande desafio na gestão empresarial. Quase sempre a avaliação é realizada apenas com os dados macroeconômicos, deixando de lado os sinais mais eficazes; os indicadores da própria empresa – fluxo de caixa negativo, análise de balanço horizontal e vertical, índice de liquidez, índice de endividamento elevado, EBITDA. E muitas vezes, quando o empresário compreende a real situação, o negócio já está à beira do que o mercado chama de insolvência ou Recuperação Judicial.

Virar o jogo. Esse é o trabalho exercido pelos profissionais de turnaround, uma expressão que surgiu no mundo dos negócios e ganhou cada vez mais relevância na gestão das empresas. “O trabalho desse profissional é identificar os motivos, internos e externos, que colocaram a empresa naquela situação. Na maioria das vezes, os problemas partem de dentro e a primeira medida deve contemplar cortes de gastos ou a redução das operações em uma situação controlável.” explica Frederico Scarpellini, sócio da EXM Partners. Ele alerta que há diferentes estágios de interferência na gestão: “Quando o risco é elevado e iminente, ações mais drásticas são necessárias, como a redução de ativos e a consolidação das operações mediante desinvestimentos em atividades menos rentáveis, para ganhar recursos financeiros e aumento de eficiência”.

Apple, GE, e mais recentemente, a Lego, são alguns exemplos de grandes empresas que se reinventaram com trabalho de turnaround. Porém, rever o foco não é exclusividade de gigantes do mercado. E independente do tamanho da empresa ou do setor de atuação, é quase unanime que a maioria dos negócios necessita, em algum momento, rever rumos e atuação no mercado.

“Os problemas em empresas de pequeno e médio porte são os mesmos em relação a uma de grande porte. A diferença está na gestão e na capacidade de administração das informações financeiras e contábeis, fundamentais para as tomadas de decisão. Normalmente, numa PME, estas ações são mais influenciadas pelos sentimentos do que pelos fatos. Neste caso, a deficiência ou até a ausência de informação e a falta de autocrítica nas análises acabam determinando ações não condizentes com a realidade e situação atual da empresa” completa Scarpellini.

Ao notar os primeiros sinais de que algo não anda bem na gestão, é necessária uma avaliação completa, que inclui revisão de custos dos produtos ou serviços vendidos, análise dos custos fixos e variáveis, readequação do fluxo de caixa no curto e longo prazo, ajustes dos prazos de compras e vendas para adequação do giro de estoque, entre outros.

A reestruturação bem sucedida depende consideravelmente dos profissionais e da empresa especializada que irão diagnosticá-la e empregar as ações apropriadas de acordo com cada necessidade, visando levar a organização a uma transformação substancial aos seus negócios. Muitas vezes, essas mudanças são de cunho estratégico, outras de readequação financeira; porém, todas têm a finalidade de estabilizar a empresa e atribuir ferramentas de controle para que tenha solvência em seus resultados.  E em grande parte, como a história demonstra, cada vez mais, a execução do turnaround é um passo que não apenas reorganiza, mas explica a longevidade de muitas empresas.

 

Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre; se vives de acordo com as opiniões alheias, nunca serás rico.

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