Mandado de segurança é concedido a motorista da empresa UBER

Data:

Decisão é em caráter individual e não para todos os motoristas do serviço de transporte alternativo.

Mandado de segurança é concedido a motorista da empresa UBER | Juristas
Syafiq Adnan / Shutterstock.com

A 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Rio Branco, por meio de liminar, concedeu Mandado de Segurança, impetrado por uma motorista da empresa UBER, determinando a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTRANS) de se abster de impedir a profissional de exercer a atual atividade.

Na decisão de nº 0711835-44.2017.8.01.0001, assinada nesta quarta-feira (13), o juiz de Direito Anastácio Menezes proibiu a RBTRANS, até o julgamento final desta demanda, a efetuar a retenção da CNH, apreensão do veículo ou a imposição de multa com tal fundamento.

A decisão é em caráter individual e não para todos os motoristas da UBER. A Ação Civil Pública será julgada posteriormente. O magistrado fixou multa de R$ 1 mil em caso de descumprimento.

Entenda o Caso

O serviço de transporte alternativo, comum em vários estados, começou a operar recentemente na capital Rio Branco e tem causado imbróglio com outros profissionais de transportes de passageiros e, até mesmo, na esfera legislativa municipal para tratar da atuação da atividade.  Uma Ação Civil Pública tramita na Justiça e será julgada brevemente onde decidirá a permissão do serviço na capital.

Porém, para continuar exercendo a atividade profissional de transporte privado individual, a impetrante ingressou com o Mandado de Segurança alegando ser motorista credenciada pela UBER e sofrer perseguição por parte do órgão de fiscalização de trânsito através de multas arbitrárias.

Decisão

Na decisão, o juiz de Direito Anastácio Menezes, titular da1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Rio Branco, destacou que a Lei Federal nº 12.587/2012, que instituiu as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, reconhece a existência de diversos modos de transporte urbano, distinguindo-os, quanto à natureza do serviço, entre público e privado (art. 3º, §2º, III), frisou sobre a atividade fiscalizatória da municipalidade impor restrição ilegítima ao exercício de um direito fundamental e argumentou ser óbvio e caber à lei regulamentar o exercício de profissões, porém, se não há lei regulamentadora, o magistrado disse entender a atividade ser permitida.

“Se não há lei regulamentadora, entende-se que a atividade esteja permitida. De conseguinte, a Administração não poderia apreender o veículo da impetrante, ou impor-lhe multas e outras penalidades, ainda mais sem existir qualquer tipo de legislação, mesmo que municipal, regulamentando a questão”, diz trecho da decisão.

O magistrado destacou ainda entender existir os requisitos do art. 300 do Código Processo Civil, dado que não apenas a probabilidade do direito está demonstrada, como também o elevado risco de constrição à atividade profissional lícita.

Com isso, proibiu a RBTRANS, até o julgamento final desta demanda, a efetuar a retenção da CNH, apreensão do veículo ou a imposição de multa com tal fundamento da impetrante. O magistrado fixou multa de R$ 1 mil em caso de descumprimento.

Fonte: Tribunal de Justiça do Acre

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

1 COMENTÁRIO

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo