Estado do Acre deve indenizar mãe de delegado por morte em ocorrência

Data:

Decisão estabeleceu ainda normas para o pagamento de pensão para a beneficiária.

Estado do Acre deve indenizar mãe de delegado por morte em ocorrência | Juristas
Chodyra Mike/Shutterstock.com

Apesar do Estado do Acre alegar que o óbito de policial em ocorrência constitui risco inerente à profissão exercida, o Juízo da Vara de Execução Fiscal não aceitou a argumentação embasada na Teoria do Risco Administrativo e condenou o Ente Público estadual a indenizar a mãe de Marco Antônio de Toledo, que exercia a atividade de delegado do Bujari.

A juíza de Direito Mirla Regina, titular da unidade judiciária, assinou a decisão do Processo n° 0711295-64.2015.8.01.0001, que foi publicada na edição n° 5.963 do Diário da Justiça Eletrônico (fl. 62). A autora B.C.T.G. vai receber indenização por danos morais no importe de R$ 50 mil e pensão mensal no valor equivalente a um terço de salário mínimo.

Entenda o caso

De acordo com os autos, o delegado Toledo foi atingido por um tiro acidental disparado por um dos dois agentes de Polícia Civil que o acompanhavam em diligência. O filho da parte autora morreu durante procedimento cirúrgico. Na petição inicial, foi salientada a falta de treinamento adequado do efetivo da segurança acreana.

Em sua defesa, o Estado do Acre afirmou que o delegado adotou procedimento inadequado e desnecessário, em desacordo com os protocolos de abordagens policiais por estar com o número insuficiente em sua equipe, além de não estar trajando o equipamento de proteção individual, por isso a culpa é exclusiva da vítima.

Destacou ainda o recebimento da “gratificação de risco de vida”, prevista na Lei n° 2.250/09, para afastar a possibilidade de indenização por danos morais.

Decisão

A responsabilidade objetiva do Estado está estruturada na conduta comissiva do réu, pois o disparo de arma de fogo foi deflagrado por agente público e teve como dano a morte do delegado, o que no entendimento da juíza de Direito demonstra a ocorrência de ato ilícito.

A alegação de culpa da vítima não foi comprovada, na medida em que o óbito foi causado por um disparo acidental de outro policial, não tendo a vítima qualquer controle sobre tal ação.

Não excludente de responsabilidade neste incidente. “A propósito, saliento ser dever do Estado promover a segurança não só aos cidadãos em geral, mas igualmente aos seus agentes públicos, até porque não deixar de ser cidadãos por se investirem em uma função pública, de modo que não há risco de atividade alguma que legitime o Estado de dispensar-se do dever de proteção, inequívoco direito fundamental”, prolatou a magistrada.

A vítima perdeu seu bem mais precioso que é a vida, mandamento nuclear do sistema constitucional. A mãe vive o dano moral por ricochete, pois o fato repercutiu na vida e na estrutura familiar da genitora, que vive a dor pela perda do ente querido.

O Juízo, contudo, ponderou as evidências de que a vítima tenha agido de forma pouca cautelosa, na qual a sucessão dos atos equivocados culminou na morte do delegado, o que foi utilizado na fixação de uma indenização razoável a possibilidade de existência de culpa concorrente.

Da decisão cabe recurso.

Fonte: Tribunal de Justiça do Acre

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Bruno Dantas formaliza renúncia ao cargo de ministro do TCU e abre caminho para indicação de Rodrigo Pacheco

O ministro Bruno Dantas formalizou sua renúncia ao cargo no Tribunal de Contas da União (TCU), com saída prevista para 9 de setembro. A vaga, destinada à indicação do Senado Federal, deverá ser disputada politicamente e o nome de Rodrigo Pacheco ganhou força para assumir o posto. A mudança ocorre em meio à reaproximação entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e às articulações do Congresso antes das eleições de 2026.

Governo cria regras para combater cambismo digital e ampliar proteção de consumidores em eventos

O governo federal regulamentou a venda, a revenda e a transferência de ingressos pela internet com medidas destinadas a combater o cambismo digital, ampliar a transparência e proteger direitos dos consumidores. A regulamentação estabelece regras para filas, meia-entrada, taxas, revenda, transferência e reembolso. Outro decreto determina a disponibilização gratuita de água potável em eventos culturais, com regras específicas para eventos com mais de mil pessoas.

Tribunal do Júri condena corintiano por matar esposa palmeirense após discussão

O Tribunal do Júri condenou o empresário Leonardo Souza Ceschini a 13 anos e 24 dias de prisão, em regime fechado, pela morte da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, ocorrida em 2021. A vítima foi atingida por oito golpes de faca após uma discussão relacionada à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras. Os jurados reconheceram o feminicídio, o emprego de meio cruel e o aumento de pena pelo fato de o crime ter ocorrido na presença dos filhos do casal. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

Júri condena homem acusado de orquestrar assassinato do rapper Tupac Shakur

Resumo: Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi considerado culpado por um júri de Las Vegas por participação no assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 1996. A acusação sustentou que Davis organizou a ação e estava no veículo de onde partiram os disparos, enquanto a defesa questionou a existência de provas independentes. Davis poderá ser condenado à prisão perpétua, e o caso ainda poderá ser objeto de recursos

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo