
A Justiça do Rio Grande do Sul determinou medidas cautelares contra o advogado e professor de Direito Conrado Paulino da Rosa, investigado por supostos crimes sexuais denunciados por ao menos 12 mulheres, em casos que teriam ocorrido ao longo de mais de uma década em Porto Alegre.
Entre as restrições impostas estão o uso de tornozeleira eletrônica, apresentação mensal em juízo, proibição de contato com vítimas e testemunhas, além do impedimento de frequentar universidades, congressos e eventos jurídicos. O advogado também teve o passaporte retido, está sujeito a recolhimento domiciliar noturno (das 20h às 6h) e não poderá deixar a comarca da capital gaúcha.
As investigações são conduzidas pela 2ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM). Depoimentos relatam que Conrado se aproveitava de vínculos acadêmicos e profissionais para conquistar a confiança de alunas, ex-alunas e colegas, ambiente que teria sido explorado em situações de violência sexual.
As denúncias incluem acusações de estupro de vulnerável (art. 217-A do Código Penal), violência física durante relações sexuais, abusos supostamente facilitados pelo uso de substâncias químicas e episódios de violência psicológica. Algumas vítimas relataram desmaios, apagões de memória e sonolência súbita após ingerirem bebidas oferecidas por ele. Há também relatos de tapas, agressões e intimidações. Além dos danos físicos, mulheres afirmam ter sofrido abalos psicológicos, crises de ansiedade e até depressão.
Outro ponto recorrente nos depoimentos é a alegação de que, após os relacionamentos, Conrado teria espalhado boatos e tentado prejudicar a credibilidade das vítimas no meio acadêmico e jurídico.
Quem é o investigado
Conrado Paulino da Rosa é advogado na área de Família e Sucessões, pós-doutor em Direito pela UFSC, autor de 18 livros e figura ativa nas redes sociais, onde soma mais de 78 mil seguidores. Ele também ocupava cargos de destaque, como a presidência da seccional gaúcha do IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família), mas foi afastado após a repercussão do caso.
A Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), onde lecionava, anunciou sua exclusão do corpo docente. Já a OAB/RS instaurou processo ético-disciplinar e avalia medidas como suspensão preventiva.
Defesa
Em nota divulgada em seu perfil no Instagram, Conrado afirmou confiar na apuração das autoridades, ressaltou que investigação não equivale a condenação e repudiou a divulgação de informações sigilosas. “Repudio qualquer forma de violência contra a mulher e confio que, com a apuração completa, a verdade dos fatos se sobressairá”, disse.
(Com informações do Portal Migalhas)
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