STF inicia julgamento de ação da PGR contra regras da Lei Ferrari

Data:

Condutor
Créditos: Freepik Company S.L.

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta quinta-feira (5) o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 1106, que questiona dispositivos da chamada Lei nº 6.729 de 1979 — conhecida como Lei Ferrari, responsável por regulamentar as relações comerciais entre fabricantes e concessionárias de veículos no Brasil.

Após a leitura do relatório pelo ministro Edson Fachin e as sustentações orais das entidades admitidas como amici curiae, o julgamento foi suspenso e deverá ser retomado em data ainda a ser definida.

Questionamento da PGR

A ação foi proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que sustenta que determinadas regras da Lei Ferrari violam princípios constitucionais da livre concorrência e da defesa do consumidor.

Entre os pontos questionados estão a possibilidade de cláusulas de exclusividade entre montadoras e concessionárias e a previsão de limitação territorial para comercialização de veículos. Para a PGR, essas regras configurariam intervenção indevida do Estado na atividade econômica.

Defesa da legislação

Durante as sustentações orais, representantes de entidades do setor automotivo defenderam a constitucionalidade da norma.

O advogado que representou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmou que a existência de legislação específica para o setor não contraria a Constituição. Segundo ele, a lei foi concebida justamente para equilibrar a relação comercial entre montadoras e concessionárias, sem restringir a concorrência.

Em manifestação semelhante, a defesa da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) argumentou que a Constituição autoriza a atuação normativa do Estado na organização da atividade econômica. Para a entidade, a tese apresentada pela PGR se apoia em interpretação restritiva da legislação e em uma nota técnica do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Críticas ao modelo atual

Por outro lado, o Conselho Nacional de Retíficas de Motores (Conarem) manifestou apoio à posição da PGR. Na sustentação oral, a entidade argumentou que a Lei Ferrari não acompanhou as transformações ocorridas no setor automotivo desde sua criação, na década de 1970.

Segundo o Conarem, as regras atuais dificultariam o acesso a peças e serviços de manutenção por oficinas independentes. Como exemplo, foi citada a situação de caminhoneiros que, em determinadas regiões, não conseguem realizar reparos em seus veículos por estarem distantes de concessionárias autorizadas e não poderem adquirir peças diretamente no mercado.

O julgamento permanece suspenso e será retomado pelo STF em data ainda a ser definida.

(Com informações do STF por Jorge Macedo)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo