
Dois magistrados foram alvo de manifestações racistas durante uma transmissão ao vivo promovida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, no âmbito de evento institucional voltado à promoção da igualdade de gênero.
As ofensas foram direcionadas ao conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, Fábio Francisco Esteves, e à juíza auxiliar da Presidência do Supremo Tribunal Federal, Franciele Pereira do Nascimento, enquanto participavam de programação vinculada aos projetos Paraná Lilás e Brasil Lilás.
Os ataques ocorreram por meio do chat da transmissão, realizada via plataforma digital, com mensagens de teor discriminatório. Entre os registros analisados, consta comentário ofensivo de cunho racial, além da utilização de perfis falsos para a prática dos atos, incluindo conta que empregava nome e imagem de Jeffrey Epstein.
O evento foi realizado em formato híbrido, com atividades presenciais no assentamento Pontal do Tigre, no município de Querência do Norte, e transmissão para escolas da rede estadual.
Em manifestação institucional, a presidente do TJ-PR, Lidia Maejima, classificou o episódio como “ato de ódio” e ressaltou a necessidade de resposta firme por parte das instituições. A magistrada destacou a gravidade jurídica da conduta, lembrando que o crime de racismo possui natureza imprescritível e inafiançável, além de representar afronta não apenas às vítimas, mas ao próprio sistema de Justiça.
Foi determinada a atuação do Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do tribunal para identificação dos responsáveis. Paralelamente, o caso é objeto de investigação pela Polícia Civil do Estado do Paraná, por meio da unidade de Loanda.
Em notas oficiais, tanto o STF quanto o CNJ manifestaram solidariedade aos magistrados e informaram a adoção das medidas administrativas e legais cabíveis.
Perfil das vítimas
A juíza Franciele Pereira do Nascimento é oriunda de São José dos Pinhais e possui formação acadêmica pela Universidade Federal do Paraná, tendo sido promovida à magistratura em 2024. Sua trajetória inclui atuação e reflexão sobre os desafios estruturais enfrentados por mulheres negras no acesso à carreira jurídica.
Já Fábio Francisco Esteves ingressou na magistratura em 2007, após formação pela Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul. Sua trajetória é marcada por superação de adversidades socioeconômicas, frequentemente relatadas em entrevistas públicas.
O caso segue sob apuração das autoridades competentes.
(Com informações do G1 por Carolina Wolf, Bruna Melo e Alyohha Moroni)
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