Tribunal reconhece união estável entre dois homens e determina divisão do patrimônio do casal

Data:

regime de bens
Créditos: Nicolas TREZEGUET | iStock

A 1ª Vara da Comarca de Penha, em Santa Catarina, reconheceu a existência de uma união estável homoafetiva entre dois homens que mantiveram relacionamento entre outubro de 2007 e janeiro de 2017. A decisão reconheceu que a convivência foi contínua e duradoura, com características próprias de uma entidade familiar, e determinou a dissolução da união e a partilha dos bens adquiridos durante o período. O processo tramita em segredo de justiça.

Para chegar à conclusão, o juízo analisou um conjunto de provas apresentado nos autos, incluindo fotografias, mensagens, comprovantes de residência, documentos financeiros, registros de pagamentos, documentos patrimoniais e registros relacionados às atividades empresariais desenvolvidas pelos dois. As provas também demonstraram o compartilhamento de moradia, despesas, rotina cotidiana, viagens e projetos de vida.

Durante o relacionamento, os dois também teriam desenvolvido atividades empresariais em conjunto e realizado investimentos relacionados à construção e exploração de um empreendimento turístico. Uma das partes, entretanto, contestou o reconhecimento da união estável, alegando que a relação entre os envolvidos seria apenas de amizade e colaboração e que os imóveis e demais patrimônios teriam sido adquiridos ou construídos exclusivamente com recursos próprios.

A alegação não foi acolhida pela Justiça. O conjunto probatório foi considerado suficiente para demonstrar a existência de uma relação contínua e duradoura, marcada pelo compartilhamento de vida e pela intenção de constituir uma entidade familiar. A sentença também considerou que o fato de familiares não terem conhecimento do relacionamento não seria suficiente para afastar o reconhecimento da união estável diante das demais provas produzidas no processo.

Com o reconhecimento do vínculo, a Justiça determinou a partilha igualitária dos bens adquiridos durante o período da união. A divisão inclui imóvel, vaga de estacionamento, móveis, equipamentos e eletrodomésticos utilizados na residência e no empreendimento turístico desenvolvido pelo casal. Já os bens comprovadamente adquiridos antes do início da união ou pertencentes a terceiros foram excluídos da partilha. Eventuais benfeitorias realizadas durante o período de convivência deverão ser apuradas posteriormente, na fase de liquidação.

A decisão também declarou a dissolução da união estável e rejeitou os pedidos relacionados à suposta litigância de má-fé.

(Com informações da CNN Brasil por Beto Souza)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

MPF cobra medidas do Discord para ampliar proteção de crianças e adolescentes

O Ministério Público Federal solicitou à Justiça que o Discord adote novas medidas para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. Entre as exigências estão a preservação de dados de denúncias e investigações, o bloqueio de perfis banidos e canais removidos, mecanismos de verificação de idade e supervisão parental e melhorias na moderação de conteúdo. O MPF também defende a manutenção da suspensão das transmissões ao vivo até que as medidas de segurança sejam implementadas.

Justiça reconhece paternidade de homem falecido com base em DNA e outras provas

: A Justiça de São Paulo reconheceu a paternidade biológica de um homem falecido com base em um exame de DNA que apontou 98,87% de probabilidade de vínculo genético, analisado em conjunto com outras provas. O juízo considerou o relacionamento entre o suposto pai e a mãe da autora, depoimentos de familiares e o reconhecimento da filiação no âmbito da família paterna. A decisão determinou a retificação da certidão de nascimento e permitiu a inclusão do sobrenome paterno.

Justiça condena pais por expulsarem adolescente de casa por orientação sexual

A Justiça de Santa Catarina condenou os pais de um adolescente ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais após ele ser ameaçado e expulso de casa ao revelar sua orientação sexual. O pai também teria publicado conteúdos discriminatórios sobre o jovem nas redes sociais. Avaliação psicológica apontou violência psicológica, negligência afetiva e rejeição no ambiente familiar.

STJ autoriza mulher de 80 anos a retirar sobrenome paterno após condenação dos irmãos pela morte do marido

O STJ autorizou uma mulher de 80 anos a retirar o sobrenome paterno do registro civil após seus irmãos serem condenados pelo homicídio de seu marido. A Corte considerou que a permanência do nome lhe causava intenso sofrimento moral e reconheceu que, no caso, a alteração não representava risco de fraude nem prejuízo a terceiros.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo