
O advogado foi preso em flagrante em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, após, segundo a Polícia Militar, arremessar um notebook e um celular pela janela durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. O caso ocorreu em 20 de outubro de 2026, no âmbito da Operação Libelo, que investiga possíveis irregularidades envolvendo ações judiciais e valores de clientes.
Equipamentos foram recuperados pelos policiais
De acordo com as informações divulgadas, o advogado Guilherme Menna Barreto Gentil era alvo de uma ordem judicial de busca e apreensão. Quando os agentes do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) chegaram ao apartamento, os equipamentos teriam sido lançados pela janela e recuperados pelos policiais.
A prisão em flagrante ocorreu por suspeita de obstrução da Justiça. A defesa contestou a existência de elementos que justificassem a prisão e afirmou que o advogado não admitiu ter arremessado os aparelhos. O caso deverá seguir os trâmites legais, com apuração das circunstâncias da ocorrência.
Operação Libelo apura possíveis irregularidades em ações judiciais
A Operação Libelo foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com as forças policiais. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, quatro em Ribeirão Preto e dois em Altinópolis. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 3 milhões.
As apurações começaram após a identificação de um volume elevado de ações semelhantes na comarca de Altinópolis, relacionadas principalmente a empréstimos consignados, tarifas bancárias e inclusão indevida de nomes em cadastros de inadimplentes.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, foram identificados mais de 2 mil processos no município e mais de R$ 2 milhões em valores levantados judicialmente. Há relatos de clientes que desconheciam a quantidade de ações ajuizadas em seus nomes ou os valores obtidos nos processos.
Os investigadores apuram suspeitas de que créditos judiciais eram transferidos a empresas ligadas ao grupo e que os valores levantados não eram integralmente repassados aos beneficiários. Entre os possíveis crimes investigados estão estelionato, falsidade documental, apropriação indébita e organização criminosa.
Outra operação investiga casos em Franca
Paralelamente, a Operação Garatéia apura suspeitas envolvendo outro grupo de advogados na região de Franca. A investigação, iniciada em 2024, examina possíveis usos de procurações antigas ou genéricas para ajuizar ações em nome de aposentados e pensionistas sem o conhecimento deles, além de eventuais retenções de valores judiciais.
Segundo dados divulgados, o levantamento do Tribunal de Justiça de São Paulo identificou mais de 12 mil ações ajuizadas pelo grupo entre 2022 e 2025. A análise financeira apontou cerca de R$ 10,9 milhões recebidos em contas ligadas aos investigados, por meio de 3.812 levantamentos judiciais, no período examinado.
As operações Libelo e Garatéia investigam grupos distintos. As suspeitas ainda dependem da apuração dos fatos e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos investigados.
(Com informações do JuriNews e do Migalhas).
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