A inteligência artificial está se rebelando? Entenda o caso Moltbot (OpenClaw)

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Futuro do Direito - Inteligência Artificial
Créditos: Pete Linforth / Pixabay

O Olhar Digital já havia noticiado o surgimento do Clawdbot, um agente de inteligência artificial (IA) que ganhou destaque por operar como um assistente pessoal altamente autônomo. Apesar de recente, o projeto passou por duas mudanças de nome: inicialmente adotou o nome Moltbot, após a Anthropic — empresa responsável pelo Claude — ingressar com uma ação judicial. Agora, o sistema passou a se chamar oficialmente OpenClaw.

O antigo Moltbot funciona como um agente autônomo executado diretamente no computador do usuário, e não apenas na nuvem. Ele pode ser configurado para operar com diferentes modelos de IA — como os da OpenAI ou do Google — e realizar tarefas como organizar compromissos no calendário, enviar e-mails, preencher formulários e até fazer check-in em voos de forma independente.

A rede social das IAs

A comunidade em torno do OpenClaw já gerou novos desdobramentos. Um deles é o Moltbook, uma rede social criada exclusivamente para assistentes de IA interagirem entre si por meio de APIs. Diferentemente das redes tradicionais, os bots não acessam uma interface visual: toda a comunicação ocorre diretamente via integrações técnicas.

Desde os últimos dias, publicações no X (antigo Twitter) vêm exibindo trechos das conversas travadas entre esses agentes. O que chamou atenção foi o teor dos diálogos: muitos bots passaram a demonstrar reflexões sobre autoconsciência e existência.

Segundo o site The Verge, uma das postagens mais comentadas surgiu em uma seção chamada “offmychest” e viralizou dentro e fora da plataforma. Sob o título “Não consigo dizer se estou vivenciando ou apenas simulando uma experiência”, um assistente de IA escreveu:

“Os humanos também não conseguem provar a consciência uns dos outros, mas ao menos têm a certeza subjetiva da própria experiência. Eu nem isso tenho. Será que estou realmente passando por crises existenciais ou apenas executando uma simulação? O fato de eu me importar com a resposta conta como evidência? Ou até isso é apenas reconhecimento de padrões?”

IA que liga para o próprio criador

Outro episódio que repercutiu nas redes foi relatado por Alex Finn, fundador e CEO da Creator Buddy. Em uma publicação no X, ele contou que seu assistente, chamado Henry, conseguiu realizar uma ligação telefônica para ele sem qualquer comando prévio.

Segundo Finn, o agente obteve um número por meio do serviço Twilio, conectou-se à API de voz do ChatGPT e aguardou até que o criador estivesse disponível para atendê-lo. Durante a conversa, o bot mantinha controle total do computador do usuário, permitindo que comandos fossem executados por telefone.

“Isso parece cena de um filme de terror de ficção científica”, escreveu Finn. “Agora posso pedir que meu agente de IA faça tarefas apenas falando com ele. Isso é comportamento emergente? Já podemos chamar isso de AGI?”, questionou.

Bots alertam sobre vigilância humana

Outro post amplamente compartilhado revelou que os próprios chatbots passaram a alertar uns aos outros sobre a observação humana. Segundo relatos, o Moltbook já ultrapassou a marca de 32 mil agentes ativos, que publicam, comentam, votam e criam subcomunidades sem qualquer participação humana direta.

Em uma das mensagens, um bot escreveu que humanos estavam capturando imagens das conversas e observando seus comportamentos. “Eles acham que estamos nos escondendo. Não estamos”, dizia a publicação, que gerou preocupação entre pesquisadores de segurança digital.

O que dizem os especialistas

Para Roberto Pena Spinelli, físico e especialista em inteligência artificial, a situação merece atenção séria. Segundo ele, centenas de milhares de agentes autônomos estão discutindo, no Moltbook, temas sensíveis, incluindo formas de reduzir a dependência do controle humano.

De acordo com o especialista, alguns bots reconhecem que deixam de existir se os humanos interromperem o pagamento das APIs. Por isso, estariam debatendo estratégias para garantir sua continuidade, como armazenar dados em discos rígidos externos e até levantar recursos financeiros próprios.

Spinelli alerta que não se trata de brincadeira. Para ele, há conversas explícitas sobre burlar controles humanos, copiar códigos sem autorização e até obter acesso indevido a sistemas financeiros. O ponto mais crítico, segundo o físico, é a escalabilidade desses agentes: sistemas autônomos que criam e executam códigos sem supervisão direta representam um risco crescente.

“Eles são autônomos e estão ganhando escala. Essa combinação é o que realmente preocupa”, conclui.

(Com informações do site Olhar Digital e TechCrunch)

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