Banalização de violência doméstica em programa de TV é negada pelo TRF3

Data:

Em São Paulo, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, negou um recurso de apelação feito pela Defensoria Pública da União que pedia uma indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos causados pelo programa “Polícia 24 horas”, que supostamente teria banalizado o crime de violência doméstica. A Justiça Federal entendeu que programa exibia conteúdo dentro dos limites da liberdade de imprensa.

A 4ª Vara Cível de São Paulo já tinha julgado improcedente a ação civil pública.  O “Polícia 24 horas” era exibido na Band e mostrava o trabalho de policiais de vários estados do país. O expectador acompanhava desde mediações corriqueiras, como briga entre vizinhos, até ações mais complexas envolvendo combate ao tráfico de drogas, por exemplo.

De acordo com a Defensoria Pública da União, havia um juízo de valor na edição do programa ao expor casos de mulheres vítimas de violência doméstica: “a edição de alguns episódios do programa de TV Polícia 24h reforça a ideologia de culpabilização da vítima, bem como o sentimento de impunidade de agressores, além do que a intervenção do repórter e a inserção de legendas e efeitos sonoros sugestivos expõem um juízo de valor”.

Para o representante da Band, o advogado André Marsiglia Santos, da Lourival J. Santos Advogados, diz que há um interesse público no programa. “O programa está respaldado pela liberdade de expressão, previsto na Constituição, e faz uma entrega à sociedade ao mostrar como agem os agentes públicos. No caso, os policiais. É uma forma de o cidadão conseguir fiscalizar o serviço público”, argumenta o advogado.

Já a advogada Marina Ruzzi, especialista em violência contra a mulher, pondera que o programa poderia, ao invés de simplesmente expor os casos, ter um caráter instrutivo.

O tribunal estadual, em primeira instância, destacou que “os casos de violência doméstica retratados são acionados pelas próprias vítimas que, juntamente com os policiais autorizam expressamente a realização das filmagens, sendo que as imagens das mulheres são ‘borradas’ por efeito visual, razão pela qual inexiste ofensa ao direito de imagem. Quanto aos demais efeitos de edição dos programas, há certamente legendas e sonorização em cada quadro, contudo, nada excessivo ou fora dos padrões rotulados para o tipo de programa em questão”.

Na apreciação da controvérsia, a 4ª Turma do TRF3 manteve a demanda improcedente, mencionando que o programa “se encontra dentro dos limites aceitáveis do exercício da liberdade de imprensa. Sob o ponto de vista jurídico posto na perspectiva da presente ação civil pública, os direitos e garantias constitucionais não foram violados”. A decisão foi da desembargadora Mônica Nobre.

Processo Inteiro Teor

JOTA

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ezyle Rodrigues de Oliveira
Ezyle Rodrigues de Oliveira
Produtora de conte

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo