CPI do Crime Organizado é encerrada no Senado sem aprovação de relatório final após rejeição de indiciamentos

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Investigado tem direito de não comparecer à CPI
Créditos: kynny | iStock

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado foi encerrada nesta terça-feira (14) no âmbito do Senado Federal, após a rejeição, por seis votos a quatro, do relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Com a decisão, a comissão concluiu seus trabalhos sem a aprovação de qualquer documento conclusivo.

O parecer rejeitado previa o indiciamento de autoridades dos Três Poderes, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, por supostos crimes de responsabilidade. A proposta gerou intensa divergência entre os integrantes da comissão e foi o principal ponto de impasse na votação final.

Durante a sessão, parlamentares criticaram a ausência de indiciamentos direcionados a integrantes de organizações criminosas investigadas pela CPI, como facções de atuação nacional. Também foram mencionados nomes ligados ao sistema financeiro e a operações sob apuração, sob a alegação de que teriam contribuído para a movimentação de recursos ilícitos.

Houve tentativa de separar o trecho referente aos indiciamentos das propostas legislativas apresentadas no relatório, o que permitiria votação em apartado. O pedido, contudo, foi indeferido pelo presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), que submeteu o texto integral à deliberação do colegiado.

Instalada em novembro de 2025, a CPI teve como finalidade investigar a atuação do crime organizado no país, com ênfase em lavagem de dinheiro, infiltração em estruturas públicas e exploração de atividades econômicas ilícitas. Ao longo dos trabalhos, também foram analisadas conexões entre organizações criminosas e setores econômicos formais.

No relatório rejeitado, o relator sustentou que os pedidos de indiciamento não configuravam juízo de condenação, mas sim o registro de elementos indiciários colhidos durante a investigação parlamentar, destacando que a responsabilização por crimes de responsabilidade integra mecanismos de controle institucional previstos no ordenamento jurídico.

A proposta, no entanto, enfrentou resistência de parte dos senadores, que defenderam a ausência de elementos suficientes para sustentar os indiciamentos, além de apontarem que a CPI deveria concentrar esforços na identificação e responsabilização de organizações criminosas, bem como na produção de aperfeiçoamentos legislativos.

Também houve críticas quanto ao andamento dos trabalhos, incluindo mudanças na composição da comissão na fase final da votação e alegações de interferências externas que teriam impactado o resultado das investigações.

Ao final da sessão, a presidência da CPI apresentou balanço das atividades, registrando 18 reuniões realizadas, 19 depoimentos colhidos e a análise de mais de 300 requerimentos durante os cinco meses de funcionamento. Apesar disso, a comissão encerrou seus trabalhos sem consenso sobre o relatório final.

(Com informações da Agência Senado)

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