Empregador deve indenizar família de vítima morta por funcionário em supermercado

Data:

A 2ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) reconheceu a responsabilidade civil indireta do empregador em um caso de homicídio praticado por um funcionário durante o horário de trabalho e em razão de suas atribuições de segurança. Com isso, foi determinada a indenização e o pagamento de pensão ao filho menor da vítima, morto em 2019 após uma discussão com o funcionário, nas dependências de um supermercado no litoral norte de Santa Catarina.

Representado pela mãe, o menor buscou na ação de indenização por ato ilícito o ressarcimento por danos morais e a condenação da empresa ao pagamento de uma pensão vitalícia. A empresa, em sua defesa, argumentou que o incidente foi motivado por razões pessoais entre o empregado e o pai do autor, sem relação com as atividades laborais.

Embora a decisão inicial tenha negado o pedido, o autor recorreu, destacando que o funcionário responsável pelo crime atuava como fiscal de prevenção de perdas no momento do ocorrido, dentro de seu horário de trabalho. O desembargador relator do caso reforçou que, conforme o art. 932, III, do Código Civil, o empregador responde civilmente pelos atos de seus empregados no exercício de suas funções.

A análise dos fatos apontou que o incidente teve origem em um histórico de desavenças entre a vítima, frequentadora regular do supermercado, e o segurança, que já havia agido para impedir tentativas de furto de produtos. Segundo o relator, o conflito, embora marcado por intimidações fora do ambiente de trabalho, não pode ser visto como estritamente pessoal, considerando os vínculos com a função desempenhada pelo segurança.

A decisão levou em conta a participação da vítima na escalada do conflito, contribuindo para o desfecho trágico. O supermercado foi condenado a pagar R$ 25 mil por danos morais à família. A pensão alimentícia foi fixada em um terço do salário mínimo, considerando que a vítima era o principal provedor da família, apesar de sua condição de autônomo. A pensão deverá ser paga a partir do ocorrido até que o menor complete 24 anos de idade.

A sentença inicial foi reformada, com votação unânime dos demais membros da 2ª Câmara de Direito Civil, e o processo tramita sob segredo de justiça.

(Com informações do TJSC – Tribunal de Justiça de Santa Catarina)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Instituto Juristas promove almoço-debate sobre o “Novo STJ” e reúne especialistas para discutir IA, RQF e recentes alterações regimentais

O Instituto Juristas realiza, no dia 18 de agosto de 2026, terça-feira, às 12h, o encontro “Visões e Perspectivas sobre o Novo STJ”, um almoço-evento dedicado à análise das recentes transformações no funcionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e de seus impactos concretos sobre a advocacia e o sistema de Justiça brasileiro.

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo