
Golpistas têm utilizado aplicativos de relacionamento para aplicar uma nova modalidade de fraude que pode envolver a coleta de dados biométricos das vítimas. A estratégia combina perfis falsos, manipulação psicológica e pedidos aparentemente inofensivos de chamadas de vídeo ou envio de imagens.
Paula*, de 36 anos, percebeu que havia algo errado depois de conversar por vários dias com um homem que conheceu em um aplicativo de relacionamento. Após migrarem a conversa para o WhatsApp, o contato passou a demonstrar pressa para encontrá-la pessoalmente e começou a fazer chamadas de vídeo sem aviso prévio.
Desconfiada, Paula pesquisou melhor o perfil e descobriu que se tratava de uma identidade falsa. Antes disso, uma fotografia enviada pelo contato para visualização única já havia despertado sua atenção.
Ao comparar a imagem com outras publicadas no perfil, ela percebeu inconsistências e decidiu interromper a comunicação e bloquear o contato.
Como funciona o golpe
Segundo especialistas, criminosos podem utilizar perfis falsos para estabelecer uma relação de confiança com a vítima e, posteriormente, induzi-la a fornecer imagens, vídeos ou participar de chamadas de vídeo.
O objetivo pode ser obter material suficiente para reproduzir ou manipular características faciais e outros elementos utilizados em sistemas de reconhecimento e autenticação biométrica.
Esse tipo de abordagem aumenta os riscos porque dados biométricos possuem características diferentes de senhas. Enquanto uma senha pode ser alterada depois de um vazamento, informações relacionadas ao rosto, à voz ou às impressões digitais não podem simplesmente ser substituídas.
Além disso, imagens obtidas durante chamadas de vídeo podem ser utilizadas em tentativas de fraude, criação de conteúdos manipulados ou outras formas de falsificação de identidade.
Riscos para a proteção de dados
A utilização indevida de informações biométricas também apresenta implicações jurídicas. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) classifica os dados biométricos vinculados a uma pessoa como dados pessoais sensíveis.
Isso significa que seu tratamento está sujeito a regras específicas de proteção, segurança e finalidade. O uso indevido ou o acesso não autorizado a essas informações pode gerar consequências jurídicas, especialmente quando houver violação dos direitos do titular.
Além da proteção de dados, situações envolvendo perfis falsos, obtenção fraudulenta de informações e utilização indevida de imagens podem envolver questões de Direito Penal, Direito Civil e responsabilidade por danos.
O caso também evidencia a necessidade de atenção dos usuários de aplicativos de relacionamento. Pedidos inesperados de chamadas de vídeo, envio de fotografias ou outras imagens pessoais podem ser utilizados como mecanismos para coletar informações que posteriormente serão exploradas por criminosos.
(Com informações do Tilt UOL por Priscila Carvalho)
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