Advogado é condenado por litigância de má-fé após captação irregular de clientes

Data:

litigância de má-fé
Créditos: seb_ra | iStock

Um advogado do Amazonas foi condenado por litigância de má-fé depois de realizar captação irregular de clientes em pelo menos 108 processos. A irregularidade foi reconhecida pelo juiz de Direito Marco Aurelio Plazzi Palis, do 1º Juizado Especial Cível de Manacapuru/AM, em uma ação movida pelo próprio advogado contra a Amazonas Energia por interrupção no fornecimento de energia elétrica.

Na sentença, o magistrado destacou os métodos questionáveis utilizados pelo advogado na captação de clientes, incluindo visitas domiciliares sob a falsa premissa de organizar um “mutirão” para processar a empresa de energia.

Segundo consta nos autos do processo (0600917-44.2024.8.04.5400), em algumas situações, as partes nem sequer sabiam que estavam envolvidas nos processos; em uma delas, o advogado iniciou um processo em nome de uma pessoa já falecida. Além disso, a sentença ressaltou que o advogado distribuía cartões de visita prometendo compensações financeiras por litígios contra a Amazonas Energia.

Juiz condena por litigância de má-fé idoso que pleiteou benefício assistencial
Créditos: Billion Photos / Shutterstock.com

O juiz afirmou que, a partir dessas estratégias, que violam o código de Ética e o Estatuto da OAB, muitas pessoas, principalmente ribeirinhas, residentes em comunidades rurais, simples, de pouca instrução ou analfabetas, foram induzidas a assinar procurações sem entender corretamente a atuação do advogado.

Foi identificado que o advogado moveu 510 processos contra a Amazonas Energia com o mesmo pedido e causa de pedir, utilizando petições genéricas e procurações com amplos poderes, como para levantar alvarás e receber valores em nome das partes representadas.

Litigância Predatória

Para o juiz, a atuação do advogado “prejudica gravemente a legítima capacidade postulatória e afeta irreparavelmente os pressupostos processuais necessários para o manejo da ação judicial, impedindo o conhecimento do mérito pelo juízo”.

Ele acrescentou que a litigância, nessas condições, “transforma a ação judicial em um instrumento ilegítimo, desvirtuando completamente a finalidade última da justiça e prejudicando de forma desproporcional o exercício do contraditório, tornando praticamente impossível para as partes demandadas se defenderem efetivamente diante de ações dessa natureza, que geralmente são distribuídas simultaneamente e em grande quantidade para maximizar a ocorrência de revelia e impedir a defesa regular”.

Diante das evidências, o juiz extinguiu a ação e condenou o advogado por litigância de má-fé em 10% sobre o valor da causa.

Os autos foram encaminhados à Corregedoria do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/AM, à Corregedoria Geral de Justiça do Amazonas, ao Ministério Público, à autoridade policial e ao Procurador-Geral de Justiça para providências.

Com informações do Portal Migalhas.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Notícias, modelos de petição e de documentos, artigos, colunas, entrevistas e muito mais: tenha tudo isso na palma da sua mão, entrando em nossa comunidade gratuita no WhatsApp.

Basta clicar aqui: https://bit.ly/zapjuristas

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Instituto Juristas promove almoço-debate sobre o “Novo STJ” e reúne especialistas para discutir IA, RQF e recentes alterações regimentais

O Instituto Juristas realiza, no dia 18 de agosto de 2026, terça-feira, às 12h, o encontro “Visões e Perspectivas sobre o Novo STJ”, um almoço-evento dedicado à análise das recentes transformações no funcionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e de seus impactos concretos sobre a advocacia e o sistema de Justiça brasileiro.

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo