Dino mantém decisão da Justiça do Trabalho reconhecendo vínculo empregatício de corretor de imóveis

Data:

Dino mantém decisão da Justiça do Trabalho reconhecendo vínculo empregatício de corretor de imóveis | Juristas
STF realiza sessão solene de posse do novo ministro da Corte, Flávio Dino. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, decidiu manter uma decisão da Justiça do Trabalho que reconheceu o vínculo empregatício de um corretor de imóveis. O pedido de revisão foi negado pelo ministro, que destacou que a reclamação constitucional não pode ser utilizada como instância recursal e que o acórdão do Tribunal Regional da 4ª Região (TRT4) não violou a jurisprudência do STF sobre a constitucionalidade das relações de trabalho.

Dino ressaltou que não é admissível utilizar a reclamação para garantir uma decisão de recurso extraordinário quando as instâncias ordinárias não foram esgotadas.

“A reclamação não pode ser admitida nesta Corte enquanto o recurso ainda estiver pendente de julgamento nas instâncias ordinárias. Mesmo que a decisão possa estar em desacordo com a tese estabelecida no Tema 725 de Repercussão Geral, é necessário esgotar as instâncias ordinárias”, enfatizou o ministro.

Imóveis particulares podem sofrer usucapião
Créditos: oatawa / iStock

Além disso, Flávio Dino afirmou que a decisão do TRT4 foi fundamentada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que entendeu que a prestação de serviços firmada entre as partes caracterizava uma verdadeira relação empregatícia.

O vínculo empregatício foi reconhecido com base nos elementos caracterizadores da relação de emprego previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O juiz ressaltou a presença de subordinação, controle de horário do trabalhador, obrigatoriedade de comparecimento a reuniões e observância das determinações da empregadora.

“A decisão do TRT4 não precisa ser alterada, uma vez que o reconhecimento do vínculo empregatício não depende da licitude ou ilicitude da terceirização da atividade-fim, mas sim da verificação dos elementos que caracterizam a relação de emprego entre as partes”, afirmou o ministro.

A ação foi movida pela LPS Consultoria Imobiliária por meio da Reclamação Constitucional 66182, com medida cautelar. A empresa alegou que o acórdão do TRT4 violou decisões do STF e argumentou que o trabalhador atuou apenas como estagiário em Técnico em Transações Imobiliárias, com inscrição no CRECI.

No entanto, o TRT4 considerou que a empresa não demonstrou que cumpriu os requisitos legais para validar o estágio, como a fiscalização efetiva e a entrega de relatórios.

O corretor, que trabalhou na empresa entre 2015 e 2019, teve o vínculo reconhecido pela Justiça do Trabalho em 1º e 2º grau. Na sentença de 1ª grau, a empresa foi condenada a pagar diversas verbas trabalhistas, incluindo reflexos de salário variável, aviso-prévio, férias, FGTS, multa CLT e horas extras.

Com informações do Portal Jota Info.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Notícias, modelos de petição e de documentos, artigos, colunas, entrevistas e muito mais: tenha tudo isso na palma da sua mão, entrando em nossa comunidade gratuita no WhatsApp.

Basta clicar aqui: https://bit.ly/zapjuristas

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Golpes em aplicativos de relacionamento usam engenharia social para obter dados biométricos de vítimas

Golpistas estão recorrendo a perfis falsos em aplicativos de relacionamento para estabelecer contato com vítimas e tentar obter imagens, vídeos e outros dados que podem ser utilizados em fraudes envolvendo identidade e biometria. A prática também levanta questões relacionadas à proteção de dados pessoais e à segurança digital.

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo