
Um advogado é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de utilizar substabelecimentos com assinaturas supostamente falsificadas para tentar levantar cerca de R$ 202,7 mil em depósitos judiciais vinculados a seguradoras. Os episódios foram identificados em dois processos, e o inquérito policial ainda está em andamento.
Segundo informações publicadas pelo Migalhas, a apuração começou após uma operadora de plano de saúde identificar uma movimentação considerada suspeita em um processo que tramitava na 2ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé, na capital paulista.
Investigação apura tentativa de saque de depósito judicial
No primeiro caso, uma seguradora havia depositado R$ 81.701 em juízo, em 2010, para cumprir uma decisão liminar. Posteriormente, a condenação foi quitada em procedimento separado, mas o depósito original permaneceu disponível para levantamento.
Em novembro de 2025, o advogado investigado teria apresentado um substabelecimento que lhe atribuiria poderes para representar a companhia. Com base nesse documento, ele solicitou a transferência do dinheiro para uma conta bancária pessoal e pediu a exclusão dos procuradores que já atuavam no processo.
A movimentação chamou a atenção do escritório responsável pela ação, que comunicou o ocorrido à seguradora. Conforme o relato encaminhado à polícia, a representante jurídica da empresa negou ter assinado o documento, cuja assinatura eletrônica não pôde ser validada.
Após a comunicação da suspeita, o juízo suspendeu o levantamento dos valores. Posteriormente, o advogado solicitou sua exclusão dos autos.
Segundo caso envolve depósito de aproximadamente R$ 121 mil
Durante uma revisão interna, a seguradora identificou outro episódio com características semelhantes, desta vez em um processo de execução que tramitava em Santo André, na região metropolitana de São Paulo.
Nesse procedimento, a companhia havia realizado um depósito judicial em 1997. Embora a execução tenha sido extinta, o dinheiro continuou depositado e, segundo as informações apresentadas, o montante alcançava aproximadamente R$ 121 mil.
Nesse segundo caso, o mesmo advogado teria juntado dois substabelecimentos com assinaturas supostamente falsificadas e solicitado a transferência do valor para sua conta bancária.
Somados, os montantes envolvidos nos dois episódios chegam a aproximadamente R$ 202,7 mil. A apuração busca esclarecer as circunstâncias das solicitações e a possível utilização de documentos falsificados para obter acesso aos recursos.
Polícia Civil investiga possível falsificação de documento
A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para investigar possível falsificação de documento particular, conduta prevista no artigo 298 do Código Penal. O enquadramento definitivo dos fatos depende do andamento da investigação e da análise das provas.
De acordo com a notícia, o advogado foi intimado a prestar esclarecimentos, mas não compareceu nem justificou a ausência. Em julho de 2026, a Justiça autorizou buscas na residência e no escritório do investigado.
Durante a diligência, acompanhada por representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o profissional não foi localizado. Um notebook foi apreendido para perícia, que poderá contribuir para a análise dos elementos relacionados ao caso.
Investigação ainda não concluiu responsabilidade do advogado
O inquérito permanece em andamento, sem conclusão sobre a responsabilidade do investigado. Portanto, as suspeitas relatadas não equivalem a uma condenação criminal.
O caso chama a atenção para a importância da verificação dos poderes de representação e da autenticidade dos documentos apresentados em processos judiciais, especialmente em pedidos de levantamento ou transferência de depósitos. A apuração deverá esclarecer se houve falsificação e qual teria sido a participação do investigado nos fatos.
Processo: 1502851-26.2026.8.26.0454.
(Com informações do Migalhas).
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