Advogado acusado de matar a mulher no Pará tem recurso em HC negado no STJ

Data:

stj
Créditos: Andranik Hakobyan | iStock

O recurso em habeas corpus impetrado pela defesa do advogado Hélio Gueiros Neto para declarar a nulidade de seu interrogatório no processo em que é acusado de matar a mulher foi negado pela 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça

O advogado foi denunciado por homicídio triplamente qualificado contra sua esposa, a advogada Renata Cardim, em 2015. O caso teve grande repercussão no Pará, estado onde o avô do acusado foi governador. De acordo com os autos, Hélio sufocou e matou a mulher no apartamento do casal. Ele sustenta que a morte foi natural.

Seu pedido para adiar o interrogatório, marcado para data anterior ao fim do prazo concedido para apresentação de parecer técnico pela defesa, foi indeferido em primeira instância. O juiz entendeu que o laudo pendente de juntada não traria nenhuma novidade, já que o assistente técnico responsável já tinha prestado depoimento no processo.

A juntada, ainda que depois do interrogatório do réu, seria mera formalidade então, inerente ao que já fora objeto do depoimento. O juízo também pontuou que o interrogatório do réu era o último ato da fase de produção de provas orais, “cabendo destacar que a pendência de prazo para apresentação de parecer técnico não diz respeito à presente fase de instrução probatória”.

No interrogatório, Hélio usou de seu direito constitucional de permanecer calado. Os advogados impetraram habeas corpus no Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) alegando cerceamento de defesa e solicitando a nulidade do interrogatório, pois sua realização antes da integralização do conjunto probatório dos autos violou a autodefesa. Para os advogados de Hélio, ele ficou impossibilitado de usar em seu favor a totalidade das provas produzidas em juízo.

O TJPA rejeitou os argumentos por ausência de efetivo prejuízo causado à parte, o que está disposto no artigo 563 do Código de Processo Penal e na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), na Súmula 523.

Decisão no STJ

O relator do recurso no STJ, ministro Joel Ilan Paciornik, destacou a jurisprudência do próprio tribunal sobre o tema, que entende que a declaração de nulidade processual, mesmo que absoluta, depende da demonstração de efetivo prejuízo para uma das partes.

Para Paciornik, “No caso em análise, a defesa não logrou demonstrar qual o prejuízo experimentado em razão da antecipação da prova”, afirmou Paciornik. […]. A defesa apenas insiste na ocorrência de cerceamento à ampla defesa, pois ao recorrente não teria sido oportunizado o contato com todas as provas documentais.”

O ministro ressaltou que a defesa não demonstrou que a juntada do parecer técnico poderia ter alterado o conteúdo das declarações do réu, caso o interrogatório ocorresse depois. E ressaltou que “a opinião técnica referente ao laudo cujo prazo para juntada ainda estava em aberto já constava dos autos, uma vez que o próprio assistente técnico já havia sido ouvido em juízo e manifestado oralmente seu parecer”.

Assim, concluiu que “o laudo técnico que ainda não havia sido juntado não iria trazer nenhuma prova substancialmente nova ao processo, o que afasta a alegação de prejuízo ao exercício da ampla defesa”.

Processo: RHC 109732

(Com informações do Superior Tribunal de Justiça)

Leia também:          

Adquira seu certificado digital E-CPF ou E-CNPJ com a Juristas Certificação Digital. Acesse a plataforma de assinatura de documentos com certificado digital de maneira fácil e segura.

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juliana Ferreira
Juliana Ferreirahttps://juristas.com.br/
Gestora de conteúdo do Portal Juristas.com.br

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Bruno Dantas formaliza renúncia ao cargo de ministro do TCU e abre caminho para indicação de Rodrigo Pacheco

O ministro Bruno Dantas formalizou sua renúncia ao cargo no Tribunal de Contas da União (TCU), com saída prevista para 9 de setembro. A vaga, destinada à indicação do Senado Federal, deverá ser disputada politicamente e o nome de Rodrigo Pacheco ganhou força para assumir o posto. A mudança ocorre em meio à reaproximação entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e às articulações do Congresso antes das eleições de 2026.

Governo cria regras para combater cambismo digital e ampliar proteção de consumidores em eventos

O governo federal regulamentou a venda, a revenda e a transferência de ingressos pela internet com medidas destinadas a combater o cambismo digital, ampliar a transparência e proteger direitos dos consumidores. A regulamentação estabelece regras para filas, meia-entrada, taxas, revenda, transferência e reembolso. Outro decreto determina a disponibilização gratuita de água potável em eventos culturais, com regras específicas para eventos com mais de mil pessoas.

Tribunal do Júri condena corintiano por matar esposa palmeirense após discussão

O Tribunal do Júri condenou o empresário Leonardo Souza Ceschini a 13 anos e 24 dias de prisão, em regime fechado, pela morte da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, ocorrida em 2021. A vítima foi atingida por oito golpes de faca após uma discussão relacionada à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras. Os jurados reconheceram o feminicídio, o emprego de meio cruel e o aumento de pena pelo fato de o crime ter ocorrido na presença dos filhos do casal. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

Júri condena homem acusado de orquestrar assassinato do rapper Tupac Shakur

Resumo: Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi considerado culpado por um júri de Las Vegas por participação no assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 1996. A acusação sustentou que Davis organizou a ação e estava no veículo de onde partiram os disparos, enquanto a defesa questionou a existência de provas independentes. Davis poderá ser condenado à prisão perpétua, e o caso ainda poderá ser objeto de recursos

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo