Advogados investigados por uso de comandos ocultos em petições atribuem prática a ex-auxiliar jurídico

Data:

norton
Créditos: Jirsak | iStock

Os advogados Lucas Fernandes Nogueira Brandolis e Matheus Pelzl Ferreira, que tiveram a inscrição suspensa pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS) em razão de investigação sobre o suposto uso de comandos ocultos em petições judiciais para influenciar sistemas de inteligência artificial, afirmaram que a prática foi realizada por um ex-auxiliar jurídico do escritório, sem autorização dos profissionais.

Em nota divulgada na sexta-feira (26), os advogados sustentaram que, assim que identificaram a irregularidade, adotaram providências imediatas e comunicaram espontaneamente o fato às autoridades competentes, antes mesmo da instauração de procedimentos administrativos ou disciplinares.

Segundo os profissionais, “jamais ocultaram os fatos” e sempre colaboraram com as investigações.

Justiça Federal autoriza retorno à advocacia

Os advogados haviam sido suspensos preventivamente pela OAB/MS no último dia 18. No entanto, conseguiram reverter a medida por meio de uma liminar concedida pela Justiça Federal, em Campo Grande, na última terça-feira (23).

Ao analisar o pedido, o juízo entendeu que, em uma avaliação preliminar, não havia elementos suficientes para justificar a manutenção da suspensão até a conclusão definitiva das investigações.

Com a decisão, Lucas Brandolis e Matheus Ferreira estão autorizados a retomar o exercício da advocacia enquanto o processo administrativo segue em andamento.

Investigação envolve suposto uso de “prompt injection”

A apuração teve início após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) identificar, em petições e outros documentos processuais, indícios da utilização da técnica conhecida como “prompt injection”.

Segundo a OAB/MS, o STJ instaurou procedimento administrativo para investigar a inserção de comandos ocultos em peças processuais, mecanismo que poderia influenciar sistemas de inteligência artificial utilizados na análise de processos judiciais.

Conforme a Ordem, as investigações apontaram, em um primeiro momento, que os advogados teriam sido responsáveis pela criação desse mecanismo, circunstância que motivou a abertura do processo disciplinar e a aplicação da suspensão cautelar.

O que é “prompt injection”?

O prompt injection é uma técnica utilizada para tentar manipular o funcionamento de sistemas de inteligência artificial baseados em grandes modelos de linguagem.

O método consiste na inclusão de instruções ocultas em documentos aparentemente comuns, como petições, recursos e contratos. Embora esses comandos permaneçam invisíveis para a leitura humana, eles podem ser identificados e interpretados por sistemas de IA que analisam o conteúdo dos documentos.

Na prática, a técnica busca induzir a inteligência artificial a ignorar orientações previamente estabelecidas e produzir respostas ou análises favoráveis a uma das partes envolvidas no processo.

O uso desse tipo de mecanismo levanta preocupações relacionadas à integridade dos sistemas de apoio ao Poder Judiciário, à ética profissional e à confiabilidade das ferramentas de inteligência artificial empregadas na atividade jurisdicional.

Caso reacende debate sobre o uso da IA no Judiciário

O episódio chama atenção para os desafios jurídicos decorrentes da crescente utilização da inteligência artificial no sistema de Justiça brasileiro.

Além da investigação disciplinar conduzida pela OAB/MS, o caso também evidencia a necessidade de estabelecer protocolos de segurança para impedir tentativas de manipulação de sistemas automatizados utilizados na análise de documentos judiciais.

Enquanto a apuração prossegue, os advogados permanecem autorizados a exercer a profissão por força da decisão liminar, cabendo às autoridades competentes esclarecer a responsabilidade pelos fatos investigados e eventual prática de infrações disciplinares.

(Com informações do G1-MS)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo