Amazon terá que pagar R$ 2 mil a cliente por propagandas no Prime Video

Data:

apresentadora de TV / Luciana Gimenez
Créditos: scyther5 / iStock

A Justiça da Bahia determinou que a Amazon indenize uma assinante do Prime Video em R$ 2 mil por prática abusiva, relacionada à inserção de “propagandas interruptivas” durante filmes e séries. A decisão, publicada em 29 de outubro, ainda cabe recurso.

O caso começou quando o Prime Video anunciou no final de fevereiro a oferta de um plano sem propagandas por R$ 10 adicionais, que entrou em vigor em 2 de abril. A empresa informou que filmes e séries incluiriam “anúncios limitados” e justificou a mudança como forma de continuar investindo em conteúdo.

Em maio, a cliente entrou com ação, que foi parcialmente julgada procedente pela juíza Ivana Carvalho Silva Fernandes, da 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis da Bahia. Segundo a magistrada, a mudança unilateral do contrato configura prática abusiva, ferindo o Código de Defesa do Consumidor. A decisão cita o artigo 14 do CDC, que responsabiliza o fornecedor por serviços que não fornecem a segurança que o consumidor espera.

O pedido inicial de indenização era de R$ 6 mil, mas a juíza fixou R$ 2 mil, considerando que o valor representa uma compensação psicológica pelos transtornos causados.

A Amazon se defendeu alegando que a alteração não prejudica o serviço e que a inclusão de anúncios não é ilícita, já que a empresa tem direito de atualizar ou modificar seu serviço. Consultada sobre a decisão, a companhia afirmou que não comentaria o caso.

Especialistas em defesa do consumidor criticam a prática. Bianca Caetano, advogada do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), afirma que impor pagamento adicional para manter condições do contrato original dá vantagem excessiva à empresa e é abusivo, mesmo que a mudança tenha sido previamente comunicada.

O caso reflete uma tendência do mercado de streaming: enquanto a Amazon “migrou” todos os assinantes para planos com anúncios, oferecendo a opção de remoção por R$ 10 extras, a maioria dos concorrentes manteve as condições dos planos existentes e lançou novas opções mais baratas.

Insatisfação semelhante já levou à Justiça em outros estados. Em Goiás, uma liminar determinada pelo MP-GO em maio obrigou a Amazon a interromper a exibição de anúncios, considerando a mudança contratual ilegal. A empresa recorreu, e a decisão final ainda está pendente.

(Com informações do UOL)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo