Ausência de direitos trabalhistas nos EUA é mito é o que diz Juiz em livro

Data:

Ausência de direitos trabalhistas nos EUA é mito é o que diz Juiz em livro | Juristas
Crédito: artisteer / istock

Buscando desfazer a ilusão de que os Estados Unidos são o paraíso do empreendedorismo por não ser preciso pagar direitos trabalhistas, o juiz do Trabalho João Renda Leal Fernandes, 37 anos, está lançando o livro “O Mito EUA: Um País Sem Direitos Trabalhistas?” pela editora Juspodivm.

Na publicação, resultado de seu período de um ano e meio como pesquisador visitante na Harvard Law School, ele analisa e compara o sistema jurídico trabalhista americano com o brasileiro e, como sugere o título, afirma que os EUA não são completamente liberais, como se imagina.

O juiz afirmou ao UOL que é complicado comparar qual país tem mais leis trabalhistas, já que os Estados Unidos seguem um sistema de precedentes, ou seja, as regras são muitas vezes baseadas em decisões anteriores da Justiça, diferentemente do Brasil, que ainda se baseia sobretudo nas leis escritas. “Aqui, quando eu pergunto a respeito de um prazo de prescrição, o jurista me responde com base num dispositivo legal”, e prossegue falando como é lá: “Eu faço uma pergunta sobre um prazo de prescrição para um jurista americano, e ele vai me responder dizendo: ‘A Suprema Corte, no caso X versus Y, decidiu no seguinte sentido…’, exemplifica mostrando as diferenças.

Além do sistema jurídico como um todo ser diferente, nos EUA as regras variam muito de estado para estado, diferentemente do Brasil, em que a legislação trabalhista é nacional. Lá, segundo ele, “os estados podem editar normas em matéria trabalhista e podem estabelecer direitos individuais trabalhistas, o que não acontece aqui no Brasil. Nossa Constituição traz o direito do trabalho como competência legislativa exclusiva da União”.

De acordo com ele, embora não haja leis federais, por exemplo, de licença-maternidade remunerada ou licença remunerada por motivos de saúde, alguns estados e mesmo cidades possuem leis que garantem esse direito.

Presente na maioria dos estados americanos, o “employment at-will” (emprego à vontade, em tradução livre) é um sistema em que o empregador pode demitir a qualquer momento sem o pagamento de verbas indenizatórias consideráveis, mas é preciso cautela já que uma lei federal prevê aviso prévio para a dispensa coletiva. “Além disso, quando o ambiente é sindicalizado, normalmente, os acordos coletivos assinados pelos sindicatos preveem a proibição de dispensa sem justa causa e existe pelo menos um estado, Montana, que tem uma lei também proibindo a dispensa sem justa causa.”

Porém há pontos mais duros que no Brasil, segundo ele a semana de trabalho nos EUA tem 40 horas, acima disso, são horas extras, e o trabalhador recebe uma vez e meia o pagamento da hora normal, de acordo com lei federal. “Não é permitida a compensação de jornada acima do módulo semanal, e as horas excedentes à quadragésima por semana devem ser remuneradas em dinheiro”, não existindo a possibilidade de compensação ou banco de horas como no Brasil, após a reforma trabalhista.

Citando o estudo “Best and Worst States to Work in America”, da ONG Oxfam América de 2019, que apontou que estados com maiores níveis de proteção trabalhista costumam apresentar melhores índices socioeconômicos como expectativa de vida, renda média, PIB per capita, pobreza e mortalidade infantil, ele conclui que não é com menos direitos que se obtém mais riqueza.

Com informações do UOL.

 

Leia mais notícias sobre o mundo jurídico no Portal Juristas. Adquira seu certificado digital E-CPF ou E-CNPJ com a Juristas – www.arjuristas.com.br. Entre em contato através de email ou pelo WhatsApp (83) 9 93826000

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo