Câmara aprova isenção de IR para rendimentos de até R$ 5 mil mensais

Data:

Imposto de Renda - Espólio - Inventário
Créditos: Chainarong Prasertthai / iStock

A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 1.087/25, de iniciativa do Poder Executivo, que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem recebe até R$ 5 mil por mês. A proposta também cria uma tributação adicional para contribuintes com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil. O texto segue agora para análise do Senado.

Segundo o projeto, a medida busca ampliar o escalonamento da cobrança do imposto com base na chamada alíquota efetiva — calculada após deduções e isenções. Para compensar a isenção, será estabelecida uma alíquota mínima de 10% de IR para cerca de 141,4 mil contribuintes de alta renda, que atualmente recolhem, em média, 2,5% sobre seus rendimentos totais, incluindo lucros e dividendos. Trabalhadores em geral, por sua vez, arcam com uma alíquota efetiva entre 9% e 11%.

As reduções para a faixa de até R$ 5 mil também valerão na Declaração de Ajuste Anual, tanto para quem optar pela declaração completa quanto para quem utilizar o desconto simplificado — cujo valor foi reajustado de R$ 16.754,34 para R$ 17.640,00. O benefício se aplicará ainda ao 13º salário, que possui tributação exclusiva na fonte.

Alterações na tabela e novas deduções

O texto aprovado foi o substitutivo do relator, deputado Arthur Lira. A redução gradual da tributação, que antes se aplicava até rendimentos de R$ 7 mil, foi ampliada para até R$ 7.350,00 mensais. Acima desse valor, não haverá mudanças.

Lira também incluiu novas possibilidades de dedução, abrangendo rendas obtidas com títulos do agronegócio, do setor imobiliário e lucros e dividendos aprovados até 31 de dezembro de 2025. Além disso, determinou que o Executivo apresente, no prazo de um ano, um projeto de política nacional de atualização da tabela do IR.

Outra mudança foi a exclusão, da base de cálculo de lucros e dividendos distribuídos por cartórios, das taxas destinadas ao sistema judiciário. Já os lucros e dividendos referentes ao ano-calendário de 2025 poderão ser distribuídos até 2028.

Justiça tributária

Segundo Arthur Lira, a proposta deve beneficiar 15,5 milhões de pessoas, enquanto cerca de 140 mil contribuintes de alta renda arcarão com a compensação. “O projeto é neutro quanto à arrecadação e à renúncia fiscal”, afirmou. Ele destacou que a medida representa um primeiro passo para corrigir distorções sociais e tributárias.

A proposta também prevê uma renúncia fiscal de R$ 25,4 bilhões em 2025, valor equivalente a 10% dos R$ 227 bilhões arrecadados atualmente com o Imposto de Renda.

Repercussão no plenário

O líder do PT, deputado Lindbergh Farias, classificou a aprovação como uma vitória da população e ressaltou o papel do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na defesa da medida. Para a líder do Psol, Talíria Petrone, o projeto representa um avanço histórico na busca por justiça tributária e impactará positivamente quase 20 milhões de pessoas.

Já na oposição, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, considerou a proposta insuficiente e defendeu uma redução mais ampla da carga tributária. O deputado Capitão Alden afirmou que a nova tributação sobre os mais ricos pode provocar fuga de capitais e prejudicar o mercado interno.

(Com informações da Agência Câmara de Notícias)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo