
Em discursos no Plenário nesta terça-feira (28), deputados comentaram a megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro contra a facção criminosa Comando Vermelho. A ação já deixou mais de 60 mortos, entre policiais e civis, sendo considerada a mais letal da história da cidade.
O deputado Luiz Lima (Novo-RJ) criticou a atuação do governo federal, chamando de “inoperância” a falta de resposta do Ministério da Justiça e Segurança Pública. “O Rio de Janeiro está em guerra! Há barricadas, 70% do território foi ocupado e drones lançam bombas sobre policiais!”, afirmou.
Houve divergência entre parlamentares sobre a ajuda federal. Deputados da oposição repercutiram declarações do governador Cláudio Castro, que disse que o estado estava sozinho na operação. Parlamentares da base governista, por sua vez, afirmaram que o governo federal tem atendido aos pedidos de emprego da Força Nacional.
O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) acusou o governo Lula de abandonar o Rio. “Na operação de hoje, não forneceu nada: nem inteligência, nem homens. Não houve nenhum aparato do governo federal em uma das maiores operações contra o crime organizado do estado do Rio de Janeiro”, afirmou, citando também declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre traficantes, pelas quais o presidente posteriormente se retratou.
Críticas à letalidade e às famílias
A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) criticou a alta letalidade da operação e afirmou que o governador Cláudio Castro não solicitou ajuda federal. “Há a naturalização da morte, a banalização da morte, a ideia de que a vida daquele policial não vale”, disse, apontando que o governo local adota apenas a lógica do confronto.
Deputados Chico Alencar (Psol-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS) também criticaram a operação, ressaltando que ações com dezenas de mortos não podem ser consideradas exitosas.
A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) fez um apelo em defesa das famílias das favelas, lembrando que operações a céu aberto geram pânico, afastam crianças da escola e prejudicam o trabalho das pessoas. Ela rebateu críticas de parlamentares da direita, destacando que a defesa é das famílias, e não de criminosos.
PEC da Segurança Pública e debates sobre legislação
O líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), defendeu a votação urgente da PEC 18/25, que prevê maior integração das forças de segurança e ampliação de poderes da Polícia Federal no combate a crimes interestaduais e internacionais.
Já o deputado Alberto Fraga (PL-DF) criticou a proposta, afirmando que não contribuiria efetivamente para a segurança pública. Ele também questionou efeitos da ADPF das Favelas, que teria levado líderes de facções de outros estados para o Rio de Janeiro.
O deputado Sanderson (PL-RS) sugeriu classificar facções criminosas como grupos terroristas para fortalecer o enfrentamento. Por outro lado, Otoni de Paula (MDB-RJ) alertou sobre os riscos dessa medida para a população das favelas.
(Com informações do Portal Câmara de Notícias)
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