Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para empresa de herdeiro da Casas Bahia, aponta Coaf

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Créditos: allanswart | iStock

O advogado Nelson Wilians transferiu R$ 6,6 milhões para a Icon Properties, empresa de Michael Klein, herdeiro da família fundadora das Casas Bahia, segundo informações constantes de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que embasou a Operação Distrato, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A operação investiga um esquema envolvendo créditos de ICMS supostamente forjados, com prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos paulistas.

De acordo com os dados analisados pelo Coaf, Wilians realizou 15 transferências da conta do escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV) para a Icon Properties entre setembro de 2024 e setembro de 2025. O advogado foi alvo da Operação Distrato em julho de 2026, no âmbito das investigações conduzidas pelo Ministério Público paulista.

As movimentações financeiras aparecem em um contexto no qual o advogado e empresas relacionadas à família Klein são mencionados em investigações distintas envolvendo suspeitas de irregularidades relacionadas a créditos tributários de ICMS. Segundo a reportagem, a Operação Ícaro apura outro núcleo de investigação, envolvendo agentes da Secretaria da Fazenda de São Paulo e supostos pagamentos relacionados à liberação de créditos tributários.

O relatório do Coaf também registra outras movimentações atribuídas a Wilians. Segundo o documento, foram identificados 152 informes relacionados ao advogado, com referência a transferências entre contas de mesma titularidade, movimentações entre instituições financeiras vinculadas ao escritório e circulação de recursos entre pessoas físicas e jurídicas relacionadas às estruturas analisadas pelo Ministério Público.

Wilians e Michael Klein mantiveram relação empresarial. Conforme registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), os dois foram sócios na holding TMA até 2023. A Icon Properties, por sua vez, integra o grupo empresarial ligado a Klein e atua no segmento imobiliário.

As relações financeiras também ocorrem em meio à situação econômica das Casas Bahia. Em agosto de 2026, a companhia apresentou pedido de recuperação judicial, declarando dívidas superiores a R$ 17,3 bilhões. Entre os credores relacionados ao processo estão empresas de Michael Klein, incluindo a Icon Properties, com créditos que ultrapassam R$ 63 milhões, conforme levantamento publicado pela imprensa.

Segundo o Ministério Público, a Operação Distrato investiga um esquema relacionado à utilização de créditos fictícios de ICMS. Em outra frente investigativa, a Operação Ícaro apura suspeitas envolvendo servidores da Secretaria da Fazenda paulista e empresas varejistas. A reportagem do UOL cita, nesse contexto, as Casas Bahia, o Assaí e o Dia.

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Nelson Wilians afirmou que as transferências mencionadas são lícitas e decorrem de relações profissionais e negócios privados. O advogado declarou ainda que os documentos relativos à origem e à regularidade das operações foram apresentados às autoridades competentes. Segundo sua manifestação, as transações não possuem relação com os fatos investigados nas Operações Sem Desconto e Distrato e um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf, isoladamente, não constitui prova de irregularidade ou ilegalidade.

Michael Klein foi procurado para comentar as transferências e as relações empresariais mencionadas na investigação, mas, segundo a reportagem, não respondeu. A Casas Bahia informou que criou um comitê independente para acompanhar e apurar os fatos relacionados ao caso e afirmou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

A apuração ocorre enquanto Nelson Wilians também é mencionado em outras investigações. Em agosto de 2026, ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada a suspeitas envolvendo empresas de apostas. O advogado também havia sido investigado na Operação Sem Desconto, que apura irregularidades relacionadas a descontos em benefícios do INSS. Wilians nega participação em ilícitos e afirma estar à disposição das autoridades.

(Com informações do UOL TAB por Juliana Sayuri e Mateus Araújo)

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