SC aprova projeto que veta mulheres trans em modalidades esportivas femininas

Data:

atletas transgêneros mulher trans
Mulheres trans em modalidades esportivas femininas
mwai_images_generator

Na última terça-feira (3), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou um projeto de lei (PL 16/2023) que proíbe atletas transgêneros de competirem em modalidades esportivas femininas no estado. A proposta sobre mulheres trans é considerada polêmica e gera divergentes opiniões entre especialistas.

Matheus Laupman, advogado especializado em direito desportivo, acredita que o projeto de lei viola diretamente os Direitos Humanos.

“Devemos lembrar que o Esporte está consagrado em nossa constituição e é um direito fundamental. Entendo que questões de eligibilidade, como por exemplo a presença de atletas trans, é prerrogativa das Entidades de Administração do desporto de cada modalidade, exercendo assim seu Direito da Autonomia Esportiva”, avalia.

Por outro lado, a advogada Fernanda Soares argumenta que o projeto não viola os direitos humanos. Ela observa que homens e mulheres possuem estruturas físicas diferentes, o que implica em diferenças nas capacidades físicas esportivas.

“Quando falamos de esportes que exigem um bom desempenho físico para uma boa performance, afirmar que não há vantagens competitivas de corpos que se desenvolveram no gênero masculino é algo extraordinário e alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias. Nós ainda não temos estudos suficientes que nos permitam ter a certeza de que não existe essa vantagem”, afirma a especialista em direito desportivo.

Segundo ela, o projeto de lei não está isolado de entendimentos que entidades desportivas já chegaram, como na Federação Internacional de Natação (FINA). “A entidade, em agosto, criou uma categoria aberta para incluir atletas transgêneros na modalidade. Além disso, desde o ano passado, a FINA restringiu a participação de mulheres trans que passaram pela transição após os 12 anos de participar de provas de competições internacionais. Não se trata, de forma alguma, de exclusão de pessoas trans do esporte, mas de uma adequação nas categorias de competição”, acrescenta Fernanda Soares.

O deputado Jessé Lopes (PL), responsável pelo projeto, argumenta que a medida visa garantir a igualdade de oportunidades entre os atletas, enfatizando a diferença de condicionamento físico entre atletas transgêneros e mulheres. O projeto de lei estabelece uma multa equivalente a 10 salários mínimos para federações, organizações e clubes esportivos que não cumpram a regulamentação estadual.

“Tendo em vista que algumas federações internacionais atualmente já têm barrado o acesso de atletas transexuais em competições femininas, nosso projeto visa defender as mulheres e garantir que espaços exclusivos no esporte sejam delas, oferecendo a notoriedade feminina que o todo esporte merece”, declarou.

Apesar do gênero declarado pelo atleta, a justificativa do projeto de lei destaca que, do ponto de vista fisiológico, o corpo do atleta foi influenciado pela presença do hormônio masculino, a testosterona. Testes antidoping, que monitoram os níveis permitidos de testosterona, podem levar à desqualificação e à perda de títulos caso esses níveis sejam excedidos.

O parlamentar diz não ter intenções preconceituosas e não visa interferir na liberdade de expressão ou escolha de vida dos indivíduos.

A participação de pessoas trans em categorias de acordo com sua identidade de gênero está sendo fonte de inúmeros debates mundo afora e, geralmente, acaba sendo delimitada pelas federações nacionais e internacionais de cada modalidade. No começo deste ano, um relatório do Centro Canadense de Ética no Esporte apontou que não existem evidências científicas que provem que mulheres transgênero possuem alguma vantagem nos esportes.

Agora, o PL 16/2023 segue para análise de outras comissões e, posteriormente, para votação em plenário.

Com informações do UOL.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Golpes em aplicativos de relacionamento usam engenharia social para obter dados biométricos de vítimas

Golpistas estão recorrendo a perfis falsos em aplicativos de relacionamento para estabelecer contato com vítimas e tentar obter imagens, vídeos e outros dados que podem ser utilizados em fraudes envolvendo identidade e biometria. A prática também levanta questões relacionadas à proteção de dados pessoais e à segurança digital.

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo