STF autoriza bancos a retomarem imóveis de devedores sem decisão judicial

Data:

Consórcios de bens imóveis
Crédutos: Yok46233042 / iStock

Nesta quinta-feira (26), o Supremo Tribunal Federal (STF) validou a possibilidade de bancos e outras instituições financeiras retomarem imóveis com dívidas que estão sendo financiadas sem a necessidade de uma decisão judicial.

A decisão foi seguida pela maioria dos ministros, liderada pelo relator do caso, Luiz Fux. Fux explicou que a execução extrajudicial não exclui o controle judicial, uma vez que os devedores podem recorrer à Justiça caso identifiquem irregularidades e desejem proteger seus direitos.

STF - Luiz Fux
Créditos: STF

O ministro enfatizou que esse procedimento não é unilateral ou aleatório por parte dos credores, pois os contratos contam com o consentimento de ambas as partes. Em seu voto, Fux ressaltou que essa prática reduziu “o custo e a incerteza da possibilidade de obtenção de garantias imobiliárias” e “permitiu revolução no mercado imobiliário brasileiro”.

Os ministros Cristiano Zanin, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso também apoiaram a validação da medida. Por outro lado, os ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia discordaram.

ministro edson fachinSegundo Fachin, a medida “confere poderes excepcionais a uma das partes do negócio jurídico, restringe de forma desproporcional o âmbito de proteção do direito fundamental à moradia”.

O julgamento discutiu uma lei de 1997 que criou a alienação fiduciária de imóveis, permitindo que o próprio imóvel adquirido seja usado como garantia para o financiamento. Segundo essa norma, se o pagamento não for efetuado, o banco pode retomar o imóvel de forma extrajudicial, ou seja, sem a necessidade de intervenção judicial.

stj
Créditos: smolaw11 / iStock

Este processo tem repercussão geral, o que significa que a decisão do STF será aplicada em casos semelhantes. O julgamento teve como referência o recurso de um devedor de São Paulo contra a Caixa Econômica Federal. O devedor argumentou que permitir que o credor retome o patrimônio sem envolvimento do Judiciário viola o devido processo legal e é incompatível com os princípios do juiz natural e do contraditório, entre outros fundamentos do Estado democrático de Direito.

Tanto a Caixa quanto o Banco Central defenderam o instrumento no Supremo.

Com informações da FolhaPress


Você sabia que o Portal Juristas está no Facebook, Twitter, Instagram, Telegram, WhatsApp, Google News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

STF retoma julgamento sobre uso da metragem dos imóveis no cálculo do IPTU

O STF retomou a análise de recurso apresentado por Chapecó (SC) contra decisão que considerou inconstitucional a definição da alíquota do IPTU com base na área construída do imóvel. O julgamento pode repercutir sobre legislações municipais, critérios de tributação e pedidos de restituição, além de suscitar debates sobre segurança jurídica e eventual modulação dos efeitos da decisão.

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo