Edital de proficiência médica deve ser analisado por turmas de direito privado, define STJ

Data:

Erro médico - Testículo - Profissional médico
Créditos: duiwoy / Depositphotos

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que cabe às turmas de direito privado do tribunal analisar recursos que discutem suposta irregularidade em edital para certificação por proficiência em área médica.

O caso foi levado ao STJ por uma cardiologista que alegou não ter conseguido se inscrever em processo de certificação na área de estimulação cardíaca eletrônica implantável, promovido por associações médicas. Segundo a profissional, o edital não teria sido devidamente divulgado, o que a fez perder o prazo de inscrição e, consequentemente, comprometer sua atuação. Ela pediu a reabertura do prazo e indenização por danos, mas teve os pedidos rejeitados nas instâncias inferiores.

Inicialmente, o recurso foi distribuído à Quarta Turma (direito privado), que determinou a redistribuição a uma turma da Primeira Seção (direito público), por entender que o caso envolvia o exercício profissional. No entanto, a Primeira Turma suscitou conflito de competência, sustentando que a controvérsia tinha natureza de direito privado.

Fundamentação da decisão

A relatora, ministra Nancy Andrighi, destacou que as entidades responsáveis pela certificação são associações civis sem fins lucrativos, não sujeitas às regras do direito público. Ela também ressaltou que o edital questionado não dizia respeito a concurso público nem a ingresso em cargo estatal, tratando-se apenas de uma certificação profissional.

Embora a médica tenha alegado que a ausência da certificação prejudicaria seu exercício profissional, a ministra observou que não há exigência de órgãos públicos — como Ministério da Saúde ou conselhos de classe — tornando a certificação obrigatória.

“Não há pessoas jurídicas de direito público em qualquer dos polos da ação, e o edital é regido por normas de direito privado”, afirmou Andrighi, acrescentando que a falta da certificação não inviabiliza o exercício da medicina.

(Com informações do STJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo