Envio de comprovante falso de Pix configura estelionato eletrônico, decide TJMT

Data:

Fraude via Pix
Créditos: rafapress / Depositphotos

A Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve, por unanimidade, a condenação de uma pessoa por estelionato eletrônico após o envio de comprovante falso de Pix para enganar uma papelaria no município de Rondonópolis. O colegiado negou provimento ao recurso da defesa e confirmou a pena de quatro anos de reclusão, em regime aberto, substituída por duas penas restritivas de direitos, além de multa.

Conforme os autos, a acusada entrou em contato com o estabelecimento comercial por meio de aplicativo de mensagens, utilizando nome falso, e solicitou a compra de materiais escolares no valor de pouco mais de R$ 1 mil. Para induzir a empresa em erro, encaminhou um comprovante de Pix adulterado, omitindo que a operação correspondia apenas a um agendamento de pagamento. Após o envio do documento, um motorista de aplicativo retirou os produtos no local. No dia seguinte, a papelaria constatou que o valor não havia sido creditado em sua conta.

Na apelação, a defesa sustentou a inexistência de dolo, alegando que o pagamento seria de responsabilidade de um terceiro. Também afirmou que houve cerceamento de defesa, pois essa pessoa não teria sido ouvida no processo, e pediu, alternativamente, o afastamento da qualificadora de fraude eletrônica.

Ao analisar o recurso, o relator, desembargador Marcos Machado, destacou que as provas demonstram de forma clara a intenção fraudulenta da ré. Segundo o voto, ficou comprovado que ela realizou o pedido, enviou o comprovante recortado e, posteriormente, cancelou o agendamento do Pix, sem regularizar o pagamento, causando prejuízo ao estabelecimento.

Os desembargadores também afastaram a alegação de cerceamento de defesa, entendendo que o conjunto probatório era suficiente para a manutenção da condenação. Laudos periciais e relatórios de investigação confirmaram que o comprovante foi editado e que o número de telefone utilizado na negociação estava vinculado à acusada.

Em relação à qualificadora, a Câmara ressaltou que o envio de comprovante falso de pagamento por aplicativo de mensagens caracteriza estelionato eletrônico, nos termos do Código Penal, ainda que haja contato direto com a vítima.

A decisão integra o 25º Ementário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que reúne julgados de segundo grau.

(Com informações do TJMT por Flávia Borges)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo