Faber-Castell é condenada a indenizar ex-gerente por sobrecarga e assédio no trabalho

Data:

Faber-Castell é condenada a indenizar ex-gerente por sobrecarga e assédio no trabalho | JuristasA 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-7), no Ceará, manteve a condenação da Faber-Castell ao pagamento de indenização por danos morais a uma ex-gerente, após concluir que o quadro de ansiedade e depressão desenvolvido por ela teve relação direta com a sobrecarga de trabalho, acúmulo de funções e cobranças excessivas por parte da empresa. A indenização foi fixada no valor equivalente a oito salários contratuais. Ainda cabe recurso.

O relator do caso, desembargador Antônio Teófilo Filho, afirmou que o nexo concausal entre as condições de trabalho e a doença foi suficiente para caracterizar doença ocupacional e responsabilizar a empresa. Ele destacou que, além da indenização, ficou mantido o reconhecimento da rescisão indireta do contrato, já que a conduta da empresa gerou um ambiente de trabalho insalubre e prejudicial à saúde da empregada.

O laudo pericial e os depoimentos colhidos demonstraram que a ex-gerente enfrentava jornadas superiores a 12 horas diárias, inclusive aos finais de semana, além de realizar viagens frequentes em horários noturnos ou de madrugada, devido a compromissos agendados no horário comercial. Após uma reestruturação em 2020, ela passou a acumular funções de gerente regional, sendo responsável por equipes e metas em diversas regiões do país.

A Faber-Castell argumentou que não havia ligação entre as condições de trabalho e o adoecimento, e afirmou que a carga de trabalho teria diminuído após a implantação de um sistema de televendas. No entanto, o desembargador rejeitou a tese, destacando que a redução da equipe gerou maior sobrecarga, invalidando a alegação da empresa.

Outro ponto destacado foi que a empresa não poderia se isentar de responsabilidade pelo fato de a funcionária residir em Fortaleza, uma vez que as viagens faziam parte de suas atribuições, impostas pela própria dinâmica do trabalho.

Além dos danos morais, a decisão também manteve a condenação ao pagamento de diferenças salariais por substituições e acúmulo de funções, tempo à disposição em viagens e os reflexos trabalhistas correspondentes.

Em nota, o advogado da ex-gerente, Raphael Damasceno, afirmou que a decisão reconhece uma situação de “extrema exploração”, especialmente durante o período da pandemia, e que representa um avanço na proteção da classe trabalhadora. Segundo ele, o julgamento evidenciou o “assédio moral corporativo” sofrido pela profissional.

A Faber-Castell declarou que não comenta processos em andamento e que irá recorrer da decisão.

O processo tramita sob o número 0000243-81.2024.5.07.0001.

(Com informações do Portal Jota)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

OAB-ES demite advogada após divulgação de vídeo com manifestações políticas

A OAB-ES demitiu uma advogada de seu quadro de colaboradores após a divulgação de um vídeo com manifestações políticas gravado nas dependências da instituição. Em nota, a entidade reafirmou seu compromisso com a democracia e a liberdade de expressão, mas declarou não tolerar manifestações discriminatórias.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo