Flamengo aciona Justiça contra Libra e contesta regra de divisão de receitas de TV

Data:

Bola de Futebol
Créditos: Pixabay / Pexels

O Flamengo acionou a Justiça do Rio de Janeiro alegando que a Libra descumpriu seu próprio estatuto ao aprovar os critérios de distribuição das cotas de televisão do Campeonato Brasileiro. Segundo o clube, qualquer deliberação sobre esse tema dependeria de unanimidade dos associados, o que não ocorreu.

A argumentação levou ao bloqueio de R$ 77 milhões referentes à fatia de audiência de clubes como Flamengo, Palmeiras e São Paulo. A Libra já anunciou que vai recorrer da decisão. O imbróglio gerou forte reação dos demais clubes, que criticaram a postura do Rubro-Negro.

O conflito

A divergência começou após Luiz Eduardo Baptista assumir a presidência do Flamengo e identificar que, com a regra aprovada, o clube poderia perder cerca de R$ 100 milhões em 2024 — de R$ 300 milhões cairia para R$ 200 milhões.

A discussão envolve 30% do contrato de transmissão, avaliado em R$ 1,13 bilhão. Essa parcela, entre R$ 305 milhões e R$ 315 milhões, está atrelada ao critério de audiência. Em setembro de 2024, a premissa básica foi aprovada com aval do então presidente Rodolfo Landim, mas o Flamengo sustenta que a aplicação dependeria de regulamentação complementar, já que o contrato da Globo não separa valores por plataforma (TV aberta, fechada e pay-per-view).

Desde então, Flamengo e Libra discutiram diferentes cenários, variando entre ganhos de R$ 200 milhões a R$ 250 milhões para o clube. Sem consenso, a Libra marcou assembleias em maio e agosto de 2025. Na última, a maioria aprovou o critério defendido pela entidade, enquanto Flamengo e Volta Redonda votaram contra.

O Flamengo registrou em ata que considerava a decisão nula por violar o estatuto, que prevê unanimidade em deliberações sobre divisão de receitas.

Decisão judicial

Na ação apresentada, o clube pediu o bloqueio dos valores até que a questão fosse definida pela Corte de Arbitragem, instância prevista em contrato. A desembargadora Lucia Helena do Passo acatou o pedido, entendendo que havia risco de prejuízo para o Flamengo diante da indefinição dos critérios.

Segundo o clube, a Libra extrapolou sua competência ao adotar percentuais de divisão (60% para TV aberta, 5% para TV fechada e 35% para pay-per-view) que não estão previstos nem no estatuto da entidade, nem no contrato com a Globo.

Posição da Libra

Procurada, a Libra respondeu em nota:
“O Flamengo optou por levar a discussão para o âmbito da Justiça e pediu segredo com relação ao processo. Por esse motivo, a Libra não fará comentário fora dos autos.”

(Com informações do site UOL)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo