Golpe da Encomenda se torna mais sofisticado e agora utiliza até código de rastreio da Amazon

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Golpe da Encomenda se torna mais sofisticado e agora utiliza até código de rastreio da Amazon | JuristasO conhecido “Golpe da Encomenda” ganhou novas camadas de sofisticação. Agora, além de dados pessoais das vítimas, os golpistas também utilizam códigos de rastreio reais da Amazon para dar legitimidade às fraudes. Relatos recentes indicam que criminosos estão se passando por empresas de entrega parceiras da varejista, como a Total Express, para aplicar o golpe via WhatsApp.

Inicialmente, o golpe parecia isolado. No entanto, múltiplos relatos mostram que outras transportadoras ligadas à Amazon também estão sendo utilizadas, especialmente em pedidos internacionais. A nova abordagem preocupa pela precisão dos dados utilizados e pela agilidade com que os criminosos entram em contato com as vítimas.

Como funciona o golpe?

O esquema segue o modelo clássico de phishing: após a movimentação de uma compra na Amazon, os golpistas entram em contato alegando que a encomenda foi tributada pela Receita Federal e que é necessário pagar uma taxa para liberá-la.

A diferença agora está na quantidade e veracidade dos dados usados:

  • Nome completo do comprador;
  • CPF, e-mail e endereço;
  • Descrição do produto comprado;
  • Código de rastreio funcional, com rota real de entrega.

Em um dos casos analisados, o contato aconteceu menos de 24 horas após o início da movimentação do pedido. Os criminosos chegaram a utilizar dois números de WhatsApp diferentes para aplicar o golpe, mantendo o mesmo argumento sobre a suposta taxa tributária.

Linha do tempo de um dos casos:

  • 05/08 – Pedido realizado na Amazon;
  • 06/08 às 17h33 – Início do rastreamento;
  • 07/08 às 06h59 – Primeira tentativa de golpe via WhatsApp;
  • 14/08 às 04h37 – Nova tentativa de golpe, com menos dados;
  • 14/08 às 12h52 – Produto sai para entrega.

Amazon está vazando dados?

Em nota ao TecMundo, a Amazon nega qualquer vazamento em seus sistemas e informa que está conduzindo uma investigação. Segundo a empresa:

“Não há evidência de nenhum evento contra a segurança dos nossos sistemas. A segurança e privacidade das informações dos consumidores sempre foi prioridade.”

A Amazon também reforça que nunca solicita pagamentos fora de seu site oficial e que comunicações legítimas são feitas apenas pelos canais autorizados.

Possível vazamento nas entregadoras?

Usuários levantam a hipótese de que o vazamento possa ter ocorrido em sistemas de transportadoras ou intermediários logísticos, como o Sistema Melhor Envio. Um dos internautas, “@dilacer8”, realizou testes com variações no endereço de entrega e apontou a Loggi como possível origem dos dados.

Embora essa tese seja especulativa, o TecMundo entrou em contato com as empresas mencionadas, que ainda não responderam oficialmente.

Especialista aponta possível falha interna

O analista de cibersegurança Renato Borbolla sugere que o caso pode envolver um vazamento interno, causado por funcionários mal-intencionados (ameaça conhecida como insider threat).

“O fato de os golpistas usarem apenas dados específicos, como nome, endereço e código de rastreio, indica que o vazamento pode ter ocorrido durante o processo logístico, e não em massa.”

Segundo o Relatório de Ameaças Internas 2024, 71% das empresas se consideram vulneráveis a esse tipo de ataque e mais de 83% já enfrentaram incidentes similares.

O que diz a LGPD?

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige que empresas adotem medidas de segurança para proteger informações pessoais. Se confirmado algum vazamento, a Amazon e suas parceiras podem ser obrigadas a:

  • Informar imediatamente os consumidores e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD);
  • Realizar auditorias internas e revisões nos acessos de funcionários;
  • Estar sujeitas a multas e sanções legais em caso de negligência.

Como se proteger do Golpe da Encomenda:

  • Desconfie de mensagens com erros ortográficos ou urgência incomum;
  • Nunca clique em links de remetentes desconhecidos;
  • Confirme qualquer cobrança diretamente no site da Amazon;
  • Evite compartilhar dados pessoais por WhatsApp ou e-mail;
  • Ative a verificação em duas etapas nas suas contas;
  • Mantenha seus dispositivos protegidos e atualizados.

(Com informações do portal TecMundo)

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