Integrantes de torcida organizada são condenados por roubo majorado e violência em Belém

Data:

Bola de Futebol
Créditos: Pixabay / Pexels

A Justiça do Estado do Pará condenou seis integrantes de torcida organizada do Paysandu pela prática do crime de roubo majorado, cometido mediante grave violência e concurso de pessoas, contra um torcedor rival. A sentença foi proferida em 21 de fevereiro de 2026 pela juíza de Direito Maria de Fátima Alves da Silva, da 8ª Vara Criminal da Comarca de Belém.

Conforme consta na decisão, os condenados agrediram a vítima em via pública quando ela retornava do trabalho de bicicleta, vestindo camisa da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), torcida considerada aliada ao Clube do Remo, rival histórico do Paysandu.

Os fatos ocorreram em 22 de fevereiro de 2025, na Avenida Júlio César, enquanto o grupo se dirigia ao Estádio Mangueirão para o clássico RexPa. Ao avistarem a vítima parada em um semáforo, os agressores, motivados pela rivalidade entre torcidas organizadas, decidiram atacá-la com o objetivo de subtrair a camisa, tratada como símbolo da disputa entre grupos rivais.

O conjunto probatório — composto por imagens de câmeras de monitoramento, vídeos divulgados em redes sociais, depoimentos testemunhais e laudos médicos — demonstrou que a vítima foi cercada, agredida com socos e chutes e deixada inconsciente na via pública, em situação de risco concreto de atropelamento. Além da camisa, foram subtraídos o aparelho celular e a quantia de R$ 300.

A investigação policial permitiu a identificação individual de todos os envolvidos, inclusive daqueles que deram suporte logístico à ação criminosa por meio de motocicletas e veículo automotor. Durante a instrução processual, houve confissão parcial e confirmação da dinâmica dos fatos por testemunhas. Os laudos periciais atestaram que as lesões sofridas resultaram em incapacidade temporária para o trabalho.

Na fundamentação da sentença, a magistrada ressaltou a elevada reprovabilidade da conduta, evidenciada pela motivação relacionada à rivalidade entre torcidas organizadas e pelo grau acentuado de violência empregado. As penas aplicadas variam entre quatro anos e cinco meses e sete anos e um mês de reclusão, todas em regime inicial semiaberto, além de multa.

O juízo negou o direito de recorrer em liberdade e afastou a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, por se tratar de crime praticado com grave ameaça e violência contra a pessoa, nos termos do Código Penal. A decisão também destacou a necessidade de resposta penal adequada diante do aumento de episódios de violência associados a torcidas organizadas.

(Com informações do TJPA por Anna Carla Ribeiro)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo