Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

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Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos | JuristasO uso de inteligência artificial (IA) por grupos criminosos tem ampliado a velocidade e a sofisticação dos ataques cibernéticos, além de facilitar a realização de fraudes em diferentes idiomas. No Brasil, a tecnologia já vem sendo utilizada para aprimorar golpes, identificar vulnerabilidades em sistemas e recrutar colaboradores para operações criminosas.

De acordo com Jeferson Propheta, vice-presidente da CrowdStrike no Brasil, criminosos utilizam ferramentas de IA para produzir abordagens mais convincentes em português e estabelecer contatos com possíveis parceiros locais.

Um levantamento da empresa aponta que os ataques cibernéticos realizados com auxílio de inteligência artificial generativa cresceram 89% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. O monitoramento é concentrado principalmente em grandes empresas, frequentemente atingidas por ataques de ransomware, roubo de informações e sequestro de sistemas.

Após obter acesso aos sistemas das vítimas, grupos criminosos podem bloquear ou copiar dados e exigir pagamentos, geralmente em criptomoedas. As ameaças de divulgação das informações roubadas também são utilizadas como instrumento de pressão.

Brasil entre os principais alvos de ransomware

O número de ataques contra empresas brasileiras também aumentou em 2026. Dados da plataforma Ransomware.live, da Cohesity, indicam que o Brasil registrou 23 ataques de ransomware em junho, ficando na terceira posição entre os países mais atingidos naquele mês.

No acumulado do ano, foram contabilizados 123 ataques, colocando o país na quinta posição. Em 2025, o Brasil havia registrado 148 ocorrências e ocupado a oitava colocação entre os principais alvos.

Para Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para a América Latina, o aumento dos ataques contra países como Brasil, Índia e Tailândia pode estar relacionado à estratégia de grupos criminosos de priorizar jurisdições consideradas menos preparadas para responder a incidentes cibernéticos e coordenar ações com as autoridades de segurança.

Ataques atingem instituições brasileiras

Entre os grupos que afirmam ter realizado ataques contra organizações brasileiras está o The Gentleman, cujas operações apresentam indícios de origem russa. Segundo informações divulgadas pelo grupo, foram realizados 15 ataques neste ano contra empresas e instituições de diferentes setores, incluindo educação, administração pública e comércio.

Um dos casos envolve o Colégio Notre Dame, de Campinas (SP). Os criminosos alegam ter obtido informações de 51 alunos cadastrados na plataforma interna da instituição e exigiram contato por meio de uma plataforma de comunicação criptografada.

Em mensagens de resgate, os criminosos afirmam que somente eles poderiam restabelecer o acesso aos arquivos da vítima e tentam desencorajar a contratação de autoridades policiais ou empresas especializadas em recuperação de dados.

Especialistas, contudo, recomendam que as vítimas não realizem o pagamento dos resgates sem uma avaliação técnica e jurídica adequada, uma vez que as alegações dos criminosos podem não corresponder à realidade e o pagamento não garante a recuperação dos dados.

Incidentes envolvendo dados pessoais exigem comunicação

Além dos prejuízos operacionais e financeiros, ataques cibernéticos podem gerar consequências relacionadas à proteção de dados pessoais.

No Brasil, incidentes de segurança que possam acarretar risco ou dano relevante aos titulares devem ser comunicados à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e, quando aplicável, aos próprios titulares afetados. A comunicação aos titulares deve ser feita de maneira individualizada e em linguagem simples, sempre que eles puderem ser identificados.

A utilização de inteligência artificial pelos criminosos aumenta ainda mais os desafios enfrentados por empresas e instituições, especialmente diante da possibilidade de automatização de etapas dos ataques, aprimoramento de técnicas de engenharia social e adaptação das abordagens às características das vítimas.

Ransomware e o risco de vazamento de informações

Outro exemplo citado envolve o grupo DragonForce, especializado em ataques de ransomware. Em março, após o término do prazo estabelecido para o pagamento de um resgate, o grupo publicou na dark web um conjunto de arquivos que afirmou ter obtido da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A estrutura do material divulgado indicava a possível existência de acesso a um servidor interno, com pastas relacionadas a departamentos e diretórios pessoais de funcionários.

Na ocasião, a FGV informou que, até então, não havia identificado informações novas ou relevantes relacionadas à alegação de captura e vazamento de dados. Segundo a instituição, o material analisado incluía formulários considerados apócrifos e documentos em branco.

Os casos demonstram que os ataques cibernéticos deixaram de depender exclusivamente de técnicas tradicionais. Com a incorporação da inteligência artificial, grupos criminosos conseguem ampliar sua capacidade de identificar alvos, desenvolver abordagens personalizadas e acelerar operações, aumentando os desafios para empresas, instituições públicas e autoridades responsáveis pela segurança digital.

(Com informações da Folha de São Paulo por Pedro S. Teixeira)

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