
Casos recentes de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas acenderam alerta em São Paulo. Jovens foram hospitalizados após consumir produtos adulterados, com registros de perda temporária da visão, coma prolongado e pelo menos duas mortes confirmadas.
O metanol é uma substância de uso industrial, altamente tóxica, que pode causar falência múltipla de órgãos. Um dos pacientes relatou ter acordado sem enxergar após a ingestão; outro permanece em coma há quase um mês. Até a noite de segunda-feira (29), o Centro de Vigilância Sanitária de SP (CVS) confirmou seis casos e investigava outros dez.
O que é o metanol
Com aparência semelhante ao etanol, o álcool usado em bebidas, o metanol se transforma no organismo em ácido fórmico, capaz de provocar lesões graves no fígado, sistema nervoso e nervo óptico. Pequenas doses podem causar visão turva, dor abdominal, náusea, confusão mental, convulsões e até cegueira ou morte.
Alerta do Ministério da Justiça
Diante da gravidade, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) emitiu nota técnica reforçando a necessidade de ação conjunta entre governo, setor privado e sociedade. Entre as orientações, estão:
compra segura e rastreabilidade dos produtos;
atenção a sinais de adulteração, como preços muito baixos, lacres irregulares, erros de impressão ou odor semelhante a solventes;
preservação de amostras e isolamento de lotes suspeitos;
encaminhamento imediato de consumidores com sintomas a atendimento médico;
comunicação a órgãos como Vigilância Sanitária, Polícia Civil, PROCON e Ministério da Agricultura.
O MJSP lembrou que a comercialização de bebidas adulteradas é crime previsto no artigo 272 do Código Penal, sujeito a reclusão e multa, além de configurar crime contra as relações de consumo (Lei 8.137/90).
Fiscalização em São Paulo
O Procon/SP anunciou intensificação das fiscalizações em bares, supermercados, adegas e casas noturnas, em parceria com a Polícia Civil. As equipes verificam notas fiscais, rótulos e embalagens, e apreendem produtos suspeitos para análise.
O órgão também reforçou cuidados ao consumidor:
comprar apenas em locais de confiança;
desconfiar de preços muito baixos;
observar embalagens e lacres;
não realizar “testes caseiros” na bebida;
procurar atendimento imediato em caso de sintomas;
acionar canais oficiais como o Disque-Intoxicação (0800 722 6001).
Lembrança do caso Backer
O episódio remete ao caso da cervejaria Backer, em Belo Horizonte, em 2020, quando a cerveja Belorizontina foi associada à intoxicação por dietilenoglicol e monoetilenoglicol. O caso deixou dez mortos e ao menos 19 pessoas com sequelas permanentes. Cinco anos depois, as indenizações previstas em acordo ainda não foram pagas devido à recuperação judicial da empresa.
(Com informações do Portal Migalhas)
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