Juiz afasta alegação de venda casada e decide que Apple não é obrigada a fornecer carregador com iPhone

Data:

Smartphone Iphone Apple
Créditos: Seremin / Depositphotos

O juiz Alessandro Bandeira, do 2º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo de São Luís (MA), julgou improcedente a ação proposta por um consumidor que buscava indenização e restituição de valores após adquirir um iPhone comercializado sem adaptador de tomada.

O autor sustentava ocorrência de venda casada, ao argumento de que teria sido compelido a comprar um carregador original devido à incompatibilidade do cabo USB-C com dispositivos que possuía.

Argumentos do consumidor

Segundo os autos, o comprador alegou que o aparelho teria se tornado impróprio para uso sem o carregador, e que a Apple teria imposto aquisição adicional do adaptador de energia, prática que configuraria infração ao art. 39, I, do Código de Defesa do Consumidor. Requereu:

  • indenização por danos morais;
  • restituição do valor despendido com o adaptador;
  • responsabilização solidária da fabricante e do e-commerce intermediador da venda.

Defesas dos réus

A Apple afirmou que não houve venda casada, pois as informações sobre o conteúdo da caixa eram disponibilizadas de forma clara e ostensiva no momento da compra.

O e-commerce sustentou ilegitimidade passiva, por atuar apenas como intermediador, sem ingerência sobre a composição do kit do produto.

Fundamentos da sentença

O magistrado rejeitou integralmente as pretensões autorais. Para ele, não há obrigatoriedade legal de fornecimento de carregador externo junto ao smartphone, tampouco imposição de compra complementar.

Segundo a decisão:

  • o carregamento pode ser realizado com adaptadores de outras marcas disponíveis no mercado, não havendo imposição de aquisição de produto original da Apple;
  • inexistiu coação ou condicionamento apto a caracterizar venda casada;
  • a informação sobre a ausência de adaptador era clara e acessível, o que afasta suposta surpresa ou vício de consentimento.

O juiz destacou, ainda, que o próprio ato de compra demonstra que o consumidor tinha ciência de que o aparelho seria comercializado apenas com o cabo de carregamento.

Resultado

Ao final, o juízo:

  • afastou a tese de venda casada;
  • negou danos morais;
  • indeferiu a restituição do valor pago pelo adaptador;
  • reconheceu que o produto não se tornou impróprio para uso;
  • manteve o e-commerce como parte, mas sem responsabilização.

Processo: 0802842-69.2025.8.10.0007

(Com informações do Direito News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo