Justiça condena dono de chácara por incêndio que destruiu plantação vizinha

Data:

venda de imóvel / Chácara / fazenda/ sitio / casa / apartamento
Créditos: Africa Studio/Shutterstock.com

A 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou um proprietário rural a indenizar um vizinho pelos danos materiais e morais causados por um incêndio que atingiu uma plantação no Lago Oeste. O autor da ação é agricultor e cultiva uvas e pitayas com fins comerciais em sua chácara.

Segundo o processo, em agosto de 2022, o vizinho ateou fogo na vegetação de seu terreno como forma de limpeza, mas as chamas se espalharam e invadiram a propriedade ao lado. O incêndio destruiu 400 pés de uva, 50 pés de pitaya e parte do sistema de irrigação da plantação.

O réu tentou anular a decisão alegando ausência de provas sobre sua responsabilidade pelo incêndio. Também questionou a legitimidade do autor para mover a ação, argumentando que ele não seria o dono legal do imóvel. Além disso, apontou que o laudo pericial era inconclusivo quanto à origem do fogo e sugeriu a possibilidade de culpa concorrente da vítima. Por fim, negou a existência de danos morais.

No entanto, o juiz de primeira instância rejeitou os argumentos da defesa e acolheu parcialmente os pedidos do autor, determinando o pagamento de indenização por danos materiais (a ser calculada posteriormente) e R$ 15 mil por danos morais. O réu recorreu da decisão ao TJDFT.

Ao julgar o recurso, os desembargadores confirmaram a responsabilidade do réu. Destacaram que o laudo pericial do Instituto de Criminalística da Polícia Civil foi conclusivo ao apontar que o incêndio teve origem na chácara do réu e se espalhou por ação humana intencional. O documento indicou que o fogo partiu do quadrante sudoeste da Chácara 3 e atingiu a divisa com a Chácara 2, onde o acúmulo de folhas e galhos secos favoreceu sua propagação.

A Turma também esclareceu que o possuidor do imóvel tem legitimidade para ser indenizado por danos às benfeitorias e plantações, mesmo sem ser o proprietário legal. Além disso, afastou a tese de culpa concorrente, por não haver qualquer indício de que a vítima tenha contribuído para o ocorrido.

Sobre os danos morais, os magistrados reconheceram que o incêndio gerou intensa aflição ao autor, diante da gravidade do caso e do risco à sua integridade física. As fotos do local comprovaram a extensão dos estragos e o perigo enfrentado por quem estivesse na área no momento do incidente.

A decisão foi unânime.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Primeiros processos sob nova sistemática da relevância da questão federal serão analisados pelo STJ

O STJ realizará, entre 30 de setembro e 6 de outubro, as primeiras sessões virtuais para análise de processos submetidos à nova sistemática da relevância da questão federal. As três Seções especializadas examinarão controvérsias relacionadas a atividade especial por exposição à eletricidade, honorários advocatícios em cobranças de taxas condominiais e utilização da palavra da vítima em processos envolvendo estupro de vulnerável e assédio sexual. O novo sistema prevê diferentes procedimentos conforme o reconhecimento ou não da relevância e poderá resultar na formação de precedentes qualificados.

Banco Central amplia de 30 para 80 dias prazo para contestar devoluções do Pix pelo MED

O Banco Central ampliou de 30 para 80 dias o prazo para contestação de devoluções realizadas pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix quando o recebedor suspeitar que o mecanismo foi acionado de forma fraudulenta. A mudança entrou em vigor em 1º de setembro e beneficia especialmente comerciantes e prestadores de serviços que podem sofrer com falsas alegações de fraude após receberem pagamentos. O prazo para a vítima de um golpe solicitar o MED permanece em até 80 dias após a transferência original.

Cristiano Zanin é reconduzido ao cargo de ministro substituto do TSE por mais dois anos

O ministro Cristiano Zanin, do STF, foi reconduzido para mais dois anos no cargo de ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral. Ele integra a composição da corte eleitoral desde agosto de 2024. O TSE é formado por sete ministros titulares e sete substitutos, com representação do STF, do STJ e da advocacia. O novo mandato de Zanin terá duração de dois anos, conforme as regras aplicáveis aos ministros indicados pelo Supremo.

STJ aplica multa por litigância de má-fé após identificar comando oculto para manipular sistema de IA

A Segunda Turma do STJ aplicou multa de 10% sobre o valor da causa por litigância de má-fé após identificar um prompt injection oculto em uma petição de recurso especial assinada por um procurador municipal. O comando buscava influenciar sistemas de inteligência artificial do tribunal para favorecer o pedido apresentado no processo. O STJ considerou a conduta grave e determinou a comunicação do caso à OAB, ao MPF, à Polícia Federal e ao município. O relator destacou que advogados são responsáveis pelo conteúdo das peças que assinam e protocolam, devendo garantir sua autenticidade e regularidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo