
A Justiça do Rio de Janeiro acolheu pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e determinou o afastamento da Torcida Jovem do Flamengo de todos os eventos esportivos realizados no país, pelo período de dois anos. A medida alcança todos os membros e associados da torcida organizada.
A decisão foi proferida pela juíza Renata Guarino, que também indeferiu a homologação do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) celebrado entre o MPRJ e a torcida no último mês de agosto. O acordo previa regras para o retorno gradual da organizada aos estádios, após período anterior de suspensão. No entanto, novos relatórios do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (BEPE) relataram episódios recentes e reiterados de violência e desordem, o que levou ao rompimento do acordo.
Relatos de violência
De acordo com o MPRJ, após a reaproximação da torcida aos estádios — autorizada desde 31 de agosto, no jogo contra o Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro — foram registrados incidentes em estações de trem, vias públicas e no interior do Maracanã, envolvendo:
- Invasões a estações da SuperVia e a coletivos;
- Agressões físicas em vias públicas;
- Roubos no estádio do Maracanã;
- Conflitos com torcedores rivais em diversos pontos da cidade, como Copacabana, Niterói e Cidade de Deus.
Esses fatos, segundo o órgão ministerial, configuram descumprimento dos compromissos assumidos no TAC e justificam a imposição de nova medida restritiva.
Histórico de punições
A Torcida Jovem do Flamengo já havia sido afastada judicialmente em 2021, por três anos, em razão de condutas semelhantes. Além da suspensão, foi imposta à época indenização por danos morais coletivos. A tentativa de retorno, por meio do TAC assinado em 2025, dependia do cumprimento de obrigações de conduta e da não reincidência em atos de violência.
Outras torcidas sob análise
Além da decisão envolvendo a torcida rubro-negra, a Justiça determinou o envio de relatórios do BEPE relativos a episódios recentes envolvendo as torcidas Força Jovem do Vasco e Fúria Jovem do Botafogo, que também haviam firmado TACs com o MPRJ para retornarem aos estádios após anos de suspensão.
A medida ocorre em meio à investigação sobre a morte de um torcedor vascaíno, ocorrida no bairro de Oswaldo Cruz, zona norte do Rio, durante confronto entre torcedores antes da partida entre Vasco e Botafogo, pela Copa do Brasil. Informações preliminares apontam que a vítima teria sido agredida por torcedores do Flamengo.
Posicionamento do MPRJ
Em nota, o MPRJ, por meio do Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST/MPRJ) e da 4ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva e Defesa do Consumidor e do Contribuinte, reafirmou o compromisso com a segurança nos estádios e com o combate à violência praticada por torcidas organizadas.
“Diante da gravidade dos fatos e do risco à segurança da coletividade, o MPRJ requereu a suspensão da análise do TAC e a fixação de novo período de afastamento”, destacou o órgão.
(Com informações do site UOL)
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