Ministro do STJ critica excessos nos recursos sobre honorários: “Falta aplicar o CPC”

Data:

ação julgada improcedente
Créditos: Alfexe | iStock

Durante sessão da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) realizada nesta semana, o ministro Antonio Carlos Ferreira reforçou a necessidade de aplicação estrita do artigo 85 do Código de Processo Civil (CPC) nas decisões que envolvem honorários advocatícios.

A manifestação ocorreu após o presidente do colegiado, ministro João Otávio de Noronha, observar que aproximadamente 60% dos processos atualmente analisados pela Turma dizem respeito à temática dos honorários. Em resposta, Ferreira afirmou:

“Se o artigo 85 [do CPC] fosse respeitado, não teríamos esse problema.”

O ministro destacou que a interpretação fiel do dispositivo legal evitaria o congestionamento processual no STJ e proporcionaria maior segurança jurídica às partes. Ele defende que a fixação de honorários deve observar os critérios objetivos estabelecidos no CPC/2015, priorizando a autonomia da vontade nas contratações entre advogados e clientes, salvo em hipóteses excepcionais, como vício de consentimento.

Além disso, reiterou que a fixação por equidade só é admissível em situações expressamente previstas na legislação, como nos casos em que o proveito econômico da causa é inestimável, irrisório ou muito reduzido.

Precedente marcante

Antonio Carlos Ferreira é relator do REsp 1.731.617, julgado em 2018, considerado um dos primeiros precedentes da Corte Superior a aplicar os parâmetros do CPC/2015 sobre honorários sucumbenciais. No voto condutor, o ministro ressaltou:

“O CPC de 2015 avançou significativamente na disciplina dos honorários advocatícios sucumbenciais, criando regras mais claras e alterando entendimentos jurisprudenciais que já não se adequavam à dinâmica atual do processo civil brasileiro.”

O entendimento do ministro é alinhado à jurisprudência consolidada das Turmas de Direito Privado do STJ, que vêm, reiteradamente, reafirmando a obrigatoriedade de observância dos percentuais legais, vedando reduções arbitrárias ou desvios da sistemática legal sem fundamento expresso.

(Com informações do Portal Justiça Potiguar)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo