Justiça do Trabalho autoriza rastreamento de valores em plataformas de apostas para quitação de dívidas

Data:

Justiça do Trabalho autoriza rastreamento de valores em plataformas de apostas para quitação de dívidas | Juristas
Bets / Apostas esportivas – Joédson Alves/ Agência Brasil
(Política)

A Justiça do Trabalho no Rio Grande do Sul passou a admitir a utilização de plataformas de apostas online como meio para localização de bens de devedores trabalhistas. A medida foi autorizada pela Seção Especializada em Execução do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região em dois processos distintos.

Nos casos analisados, as execuções enfrentavam dificuldades para avançar devido à ausência de bens localizados por meio dos sistemas tradicionais de busca patrimonial. As ações envolvem créditos trabalhistas de uma ex-funcionária de uma indústria de conservas e de um trabalhador vinculado a uma microempresa.

Diante da frustração das tentativas convencionais de satisfação do crédito, os credores requereram a expedição de ofícios a plataformas de apostas, com o objetivo de verificar a existência de valores mantidos em carteiras virtuais associadas aos devedores.

Em primeira instância, os pedidos foram negados sob o argumento de inexistência de indícios concretos de utilização dessas plataformas, além da dificuldade de acesso às informações e da ausência de mecanismos específicos de rastreamento e bloqueio.

Contudo, em grau recursal, a Seção Especializada em Execução reformou as decisões. Em um dos casos, o desembargador Carlos Alberto May destacou que a Lei nº 14.790/2023 prevê a possibilidade de manutenção de valores em carteiras virtuais vinculadas às bets, o que permite sua eventual penhora.

Em outro processo, a desembargadora Maria da Graça Ribeiro Centeno ressaltou que, diante da ineficácia das diligências tradicionais, é legítima a adoção de medidas alternativas para a localização de patrimônio do devedor, inclusive junto a plataformas digitais.

As decisões refletem uma ampliação dos mecanismos de busca patrimonial no âmbito da execução trabalhista, acompanhando a evolução dos meios digitais de movimentação financeira.

(Com informações do UOL)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo