Nego Di é condenado a 14 anos de prisão por estelionato, lavagem de dinheiro e loteria ilegal

Data:

Policial suspeito de matar filha de dois meses é mantido na prisão
Créditos: inga

O influenciador digital Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, foi condenado pela Justiça por estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. A sentença também alcança sua esposa, Gabriela Vicente de Sousa, apontada como participante do esquema que envolvia rifas virtuais irregulares, ocultação de valores e movimentações financeiras fraudulentas.

De acordo com a decisão, o influenciador promovia rifas nas redes sociais sem autorização legal, simulando sorteios de prêmios de alto valor para atrair participantes. Entre os casos citados está a divulgação de um suposto sorteio de um veículo Porsche Macan, avaliado em aproximadamente R$ 500 mil.

Segundo o Ministério Público, o acusado teria simulado a entrega de prêmios e até mesmo a comunicação com vencedores fictícios. Em um dos episódios, uma ligação apresentada em vídeo nas redes sociais teria sido produzida com o objetivo de dar aparência de legitimidade ao resultado de uma rifa.

A investigação aponta que foram realizados ao menos 34 sorteios entre novembro de 2022 e maio de 2024, com ampla divulgação digital e comercialização de bilhetes. O esquema teria alcançado cerca de 9.683 pessoas, gerando movimentação financeira superior a R$ 2,5 milhões e prejuízo estimado em R$ 185,3 mil às vítimas.

O juiz responsável pelo caso destacou que a prática não foi isolada, mas sim uma atividade estruturada, contínua e organizada. Na sentença, também foi afastada a alegação de desconhecimento da ilicitude, sob o fundamento de que o volume financeiro e a natureza das operações exigiam do influenciador a ciência da irregularidade das ações.

A decisão reconheceu ainda que, após a obtenção dos valores, o casal teria adotado mecanismos para ocultar a origem ilícita do dinheiro. Entre as estratégias identificadas estão transferências entre contas bancárias próprias, de terceiros e de empresa vinculada aos réus, além da mistura de recursos lícitos e ilícitos para dificultar o rastreamento.

A Justiça também identificou a aquisição de bens com aparência de legalidade como forma de dissimular o patrimônio. Segundo a sentença, a participação de Gabriela foi considerada relevante para a operacionalização do esquema financeiro.

Ao final, Nego Di foi condenado a 14 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, além de pena adicional de 1 ano e 15 dias por promoção de loteria ilegal. Sua esposa recebeu pena de 8 anos e 4 meses de prisão, também em regime fechado, por lavagem de dinheiro. Ambos também foram condenados ao pagamento de multa.

(Com informações do G1 por Kassiana Michel e Madu Brito)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo