Operação investiga fraudes de até R$ 10 milhões no IPVA de veículos elétricos e híbridos

Data:

detran-sp
Créditos: jirkaejc | iStock

Ação conjunta da Polícia Civil e da Secretaria da Economia já notificou 285 proprietários em Goiás por uso de endereços falsos para obter isenção indevida do imposto.

Uma operação conjunta da Polícia Civil e da Secretaria da Economia de Goiás está investigando fraudes no pagamento do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) por parte de proprietários de veículos elétricos e híbridos. A estimativa é que o prejuízo aos cofres públicos possa chegar a R$ 10 milhões.

A Operação Quíron, coordenada pela Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT), identificou cerca de 500 casos suspeitos de contribuintes que registraram seus veículos em outros estados, principalmente no Distrito Federal, utilizando endereços falsos ou irregulares para obter indevidamente a isenção do tributo.

285 proprietários já foram notificados

Até agora, 285 proprietários foram formalmente notificados e R$ 360 mil já foram recuperados, de um total de mais de R$ 760 mil lançados entre IPVA devido e multas. De acordo com o gerente do IPVA, Jorge Arêas, muitos veículos eram transferidos para outros estados logo após a compra, a fim de aproveitar benefícios fiscais inexistentes em Goiás.

“Poucos confessaram espontaneamente, mas após as investigações, muitos reconheceram a fraude e procuraram regularizar a situação”, afirmou Arêas.

A Secretaria da Economia reforça que quem se apresentar espontaneamente à Gerência do IPVA antes de ser notificado poderá se livrar de multas e, se não houver outros crimes associados, não será alvo de inquérito policial.

Inquéritos e responsabilização criminal

Nos casos em que não houve confissão voluntária, a DOT instaurou inquéritos policiais, resultando na intimação de 40 pessoas até o momento. Outros 100 casos seguem em análise.

“Fomos a campo para confirmar se os endereços usados no DF eram realmente falsos. Ao confirmar a fraude, instauramos inquéritos por crime contra a ordem tributária”, explicou o delegado adjunto da DOT, Alexandre Alvim.

Se confirmadas as fraudes, os proprietários poderão ser indiciados e responder por crime contra a ordem tributária, cuja pena pode chegar a dois anos de prisão. Além disso, poderão ser lançados os débitos fiscais com multas, e os nomes dos infratores serão protestados judicialmente.

A polícia também apura a possível participação de despachantes e funcionários de concessionárias nas fraudes.

Prejuízo pode ultrapassar R$ 100 milhões até 2027

Segundo estimativas do governo, o prejuízo com as fraudes já identificadas pode atingir a marca de R$ 10 milhões. Com o crescimento acelerado da frota de veículos elétricos e híbridos, a perda fiscal pode chegar a R$ 100 milhões até 2027, caso o problema não seja combatido.

“É fundamental que os contribuintes entendam que essas fraudes prejudicam todos. Ações como essa são contínuas e visam garantir justiça fiscal e proteger o interesse público”, afirmou a subsecretária da Receita Estadual, Lilian Fagundes.

As investigações continuam e novas ações estão previstas para intensificar a recuperação dos valores devidos e responsabilizar todos os envolvidos no esquema.

(Fonte: Secretaria da Economia, com informações da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo